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A arte de aprender com os erros

Morre, aos 80 anos, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2018, 07h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 17h35
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Um dos modos de medir a grandeza dos homens públicos é compreender como agiram nos momentos de derrota. O ganês Kofi Annan, secretário-geral da ONU de 1997 a 2007, Nobel da Paz de 2001, encerrou seus dias na diplomacia lembrando-se muito mais de seus erros que dos acertos. Para Annan, o maior fracasso foi não ter conseguido evitar a Guerra do Iraque, no vácuo dos atentados de 11 de setembro, na qual uma coalizão liderada pelos Estados Unidos lutava contra o terrorismo. “Foi meu momento mais obscuro”, disse ao lançar seu livro de memórias, Intervenções — Uma Vida de Guerra e Paz (Companhia das Letras).

No bojo do conflito iraquiano deu-se o bombardeio da sede da ONU em Bagdá, em 2003, com a morte de um dos assessores mais próximos de Annan, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que retornara à região conflagrada por insistência do próprio secretário-geral. Do Iraque veio outro péssimo episódio — o suposto envolvimento do filho de Annan na fraude do programa “petróleo por alimentos”, mecanismo desenhado para ajudar a população iraquiana durante os anos de embargo e que resultou num atalho para a corrupção. Annan nunca negou os tropeços, que o prejudicaram pessoalmente mas também mancharam a imagem das Nações Unidas. Segundo ele, “a ONU pode ser melhorada, não é perfeita; mas, se não existisse, precisaria ser criada”. Annan morreu no sábado 18, aos 80 anos, de causas não reveladas, na Suíça.


Nova derrota para marin

Jose Maria Marin – Datas
Quatro anos - Marin, 86: o cartola corrupto cumprirá a pena nos EUA (Amr Alfiky/Reuters)

Em dezembro do ano passado, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin havia sido condenado pela Justiça dos Estados Unidos por seis dos sete crimes dos quais fora acusado, entre eles participação em organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro, no maior escândalo com o envolvimento de dirigentes de futebol na história, o chamado Fifagate. Restava ao cartola saber o tempo de sua pena. Na quarta-feira 22, Marin recebeu a sentença de quatro anos de prisão, além da exigência de pagamento de multa no valor de 1,2 milhão de dólares. Detido em maio de 2015 na Suíça, o ex-governador biônico de São Paulo, hoje com 86 anos, chorou ao ouvir o veredicto da juíza americana Pamela Chen. A promotoria havia pedido dez anos de reclusão, mas a magistrada considerou a idade avançada do réu na dosimetria da pena. Sem manifestar arrependimento por seus atos — ele declarou-se inocente no processo —, Marin comparou-se a Jesus Cristo, dizendo carregar duas cruzes nas costas: uma por ele, outra por sua mulher, Neusa. Ainda cabe recurso da condenação, e a defesa do ex-dirigente da CBF pretende reduzir o tempo de Marin na cadeia para 28 meses, descontando assim o período que o brasileiro ficou em prisão domiciliar (ele possui um apartamento em Manhattan) e numa cela no bairro do Brooklyn, também em Nova York.

Publicado em VEJA de 29 de agosto de 2018, edição nº 2597

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