Um cenário insólito para a indicação de Jorge Messias ao Supremo
No reino das especulações, cogita-se que Alcolumbre segurará a análise do nome escolhido por Lula até a eleição
Em novembro passado, o presidente Lula anunciou a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Desde então, o caso está parado à espera de um acordo entre o presidente da República, a quem compete a indicação, e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comandante do Senado, Casa a quem cabe aprovar ou rejeitar nomes para o STF.
Paralisada por um impasse político, a novela sobre o futuro de Messias tem despertado especulações. Uma delas é um desatino completo. A VEJA, um dos parlamentares mais influentes e experientes do país disse que Alcolumbre pode impedir a análise do nome de Messias até a eleição de outubro. Assim, negociaria o caso com o presidente eleito, perguntando a ele se gostaria de manter a indicação. Seria uma forma de se cacifar politicamente perante o novo mandatário.
Precedente
No governo de Jair Bolsonaro, Alcolumbre, à frente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, segurou por mais de quatro meses a indicação de André Mendonça para o Supremo. O senador queria que o capitão escolhesse o então procurador-geral da República, Augusto Aras, para o cargo. Não conseguiu e deu um chá de cadeira em Bolsonaro e Mendonça.
No atual governo, Alcolumbre fez lobby para que Lula indicasse ao STF o senador Rodrigo Pacheco, seu antecessor na chefia do Senado, mas fracassou novamente. O presidente quer que Pacheco seja o candidato dele ao governo de Minas Gerais. Para convencê-lo a aceitar a empreitada, o petista prometeu estudar a possibilidade de, se reeleito, indicar Pacheco no futuro para uma vaga na Corte.
Enquanto isso, Messias continua no modo espera. O advogado-geral da União já visitou a maior parte dos senadores em busca de apoio. O esforço, por enquanto, de nada adiantou.





