Trump escolheu o caminho menos óbvio na Venezuela, aponta especialista
Alexandre Teixeira afirma que Estados Unidos priorizam previsibilidade política e interesses econômicos ao apoiar governo interino em Caracas
A nova estratégia dos Estados Unidos para a Venezuela indica menos confronto ideológico e mais pragmatismo geopolítico. Após a operação que retirou Nicolás Maduro do centro do poder, Washington passou a negociar diretamente com a presidente interina Delcy Rodríguez, em um movimento que, segundo analistas, busca estabilizar o país sem desmontar completamente o regime (este texto é um resumo do vídeo acima).
Em entrevista ao Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o especialista em Direito Internacional Alexandre Teixeira afirma que a opção do presidente Donald Trump foi deliberada: remover o líder mais visível do chavismo sem criar um vácuo imprevisível de poder.
O que mudou na estratégia americana após a saída de Maduro?
Segundo Teixeira, o chamado “centro de gravidade” do regime venezuelano era Maduro — e não necessariamente toda a estrutura política que o sustentava. Ao neutralizá-lo, os Estados Unidos reduziram drasticamente a capacidade de reação do país, sem a necessidade de uma ruptura institucional completa.
“O regime continua, mas agora é um regime previsível, amedrontado e sem capacidade real de resposta”, afirma.
Esse cálculo explica por que Washington optou por dialogar com Delcy Rodríguez, figura influente no chavismo e considerada capaz de garantir alguma governabilidade interna sob vigilância externa.
Por que Trump escolheu Delcy Rodríguez e não a oposição tradicional?
A decisão de apoiar o governo interino surpreendeu setores da oposição venezuelana. Lideranças como María Corina Machado e Edmundo González eram vistas como herdeiras naturais do vácuo deixado por Maduro, mas foram descartadas publicamente por Trump.
“Os Estados Unidos não querem imprevisibilidade”, explica Teixeira. “Uma mudança total de regime traz riscos. O próximo líder pode não ser controlável.”
Para Washington, a permanência de um núcleo conhecido do chavismo — agora enfraquecido e dependente — oferece mais segurança estratégica do que uma transição abrupta para forças oposicionistas heterogêneas.
Há chance real de estabilização política na Venezuela?
Na avaliação do especialista, sim. Desde a mudança de comando, já houve sinais concretos de distensão, como a libertação de presos políticos e de cidadãos americanos detidos no país. Esses gestos indicam que o novo governo atua sob forte pressão externa.
“Tudo o que Delcy Rodríguez fizer terá de estar alinhado aos interesses americanos, mesmo que o discurso interno diga o contrário”, diz Teixeira.
Ele ressalta que, diante da superioridade militar, econômica e diplomática dos Estados Unidos, não há margem para enfrentamento direto.
O fator econômico pesa mais que o humanitário?
Embora haja um componente humanitário na retórica americana, Teixeira afirma que o eixo central da intervenção é econômico. A reaproximação com Caracas coincide com acordos envolvendo a exploração de petróleo venezuelano, anunciados pelo secretário de Estado Marco Rubio como parte de um plano de “pacificação em etapas”.
“O viés principal é econômico. Os americanos não querem instabilidade em um país com reservas estratégicas de energia”, afirma.
Esse pragmatismo, segundo ele, explica a opção por negociar com herdeiros do regime, em vez de apostar em uma reconstrução política incerta.
Qual o impacto regional e o papel do Brasil?
A mudança de postura de Washington também ajuda a contextualizar declarações recentes do presidente Lula sobre a Venezuela. Para Teixeira, tanto Lula quanto Trump recorrem a discursos moldados por interesses eleitorais internos, ainda que suas ações práticas apontem para caminhos distintos.
“No plano internacional, o que prevalece não é a narrativa, mas o interesse estratégico”, resume.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





