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Tombini sinaliza com meta de inflação mais baixa

Novo presidente do Banco Central assumiu cargo nesta segunda-feira. Henrique Meirelles sai como recordista de permanência no posto

Por Gabriel Castro 3 jan 2011, 16h21

O novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu nesta segunda-feira, 3, que no futuro a meta de inflação seja reduzida, convergindo para o patamar praticado na maioria dos países emergentes. Em seu discurso de posse como presidente do BC, Tombini afirmou que a consolidação da atual política econômica e o aperfeiçoamento do marco legal e regulatório no Brasil vai permitir que se discuta a convergência da meta de inflação brasileira para patamares mais baixos. “Creio que esse é um processo que devemos ter ambição de perseguir no futuro”, afirmou.

Tombini também defendeu que um sistema financeiro sólido e eficiente é condição para crescimento sustentável. E disse que o BC não hesita em tomar medidas corretivas ou punitivas sempre que julgar necessário. Ele destacou ainda que é fundamental o fato de o BC ser tanto responsável pela política monetária como pela supervisão bancária, modelo que tem sido copiado por outros países. “O modelo de regulação e supervisão do sistema financeiro no Brasil é referência mundial”, disse.

O novo presidente da autoridade monetária também destacou em seu discurso o crescimento do crédito nos últimos anos, mas ponderou que o crédito ao consumo deve perder ritmo, enquanto o financiamento imobiliário tende a ganhar espaço, o que é uma mudança considerada por ele “salutar”. Mas ele alertou que é necessário cuidar para evitar o surgimento de bolhas. “O BC monitora e tomará as medidas necessárias para evitar problemas no mercado de crédito”, disse.

Poder de compra – Ele reafirmou que vai dar prioridade à estabilidade econômica e à manutenção do poder de compra da população.

Tombini elogiou a gestão de Henrique Meirelles no comando do Banco Central e prometeu trabalhar para uma queda nos índices inflacionários: “A consolidação dessa política macroeconômica, combinada ao contínuo aperfeicoamento do marco legal e regulatório brasileiro, propiciará as condições necessárias para, no futuro, discutirmos a convergência de nossa meta de inflação para índices mais baixos”, afirmou.

Ao se despedir do cargo, Henrique Meirelles citou números para defender os resultados de sua passagem à frente do BC. Lembrou que, desde 2003, 35,7 milhões de brasileiros saíram da pobreza, os juros reais caíram mais de 50% e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) alcançou uma média de 4,1% ao ano.

Meirelles, que deixa o cargo como o presidente que mais tempo ficou à frente do Banco Central, também disse que uma eventual alta da inflação acima da meta estabelecida pelo BC não é sinal de crise. Ele defendeu novos aumentos na taxa de juros sempre que for necessário, para combater as pressões inflacionárias. “Elevações da Selic não devem ser motivo de alarde”, declarou.

Entre as autoridades presentes à posse de Tombini, estavam o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

(Com Agência Estado)

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