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Teich prepara ‘saída progressiva, estruturada e planejada’ da quarentena

Em vídeo divulgado à noite, ministro da Saúde também anunciou a compra de 46 milhões de testes e de 3.300 respiradores e contrato para 30 mil exames por dia

Por Mariana Zylberkan Atualizado em 20 abr 2020, 22h12 - Publicado em 20 abr 2020, 21h47

O ministro da Saúde, Nelson Teich, anunciou em vídeo divulgado pelo governo federal no início desta noite que está em curso um estudo para reduzir o distanciamento social em todo país. O afrouxamento da quarentena é uma das missões do novo titular da Saúde – a medida foi alvo de constantes críticas do presidente Jair Bolsonaro e um dos motivos que levaram à demissão de Luiz Henrique Mandetta, antecessor de Teiche no cargo.

O afrouxamento será atrelado ao aumento do número de testes realizados. “Isso é importante para nosso processo que está sendo desenhado de usar os testes e entender melhor a doença, a evolução, e fazer um planejamento, um projeto, que já está sendo feito, para revisão do distanciamento social”, disse o ministro no vídeo. Teich afirmou que o ministério irá comprar 46 milhões de testes para detectar coronavírus, quase o dobro do que vinha sendo divulgado pela gestão de Mandetta (24 milhões). Ele explicou que não se trata de testagem em massa, mas de usar os kits em uma amostragem da população, de acordo com ele parecida com a usada em pesquisas de opinião. “A gente vai usar o teste de uma forma que as pessoas testadas vão refletir a população brasileira. Isso vai ser fundamental nesse processo de realmente entender a doença e desenhar a saída”.

Além da compra de testes, ele anunciou o fechamento de um contrato para processar 30 mil exames por dia – no total, serão 3 milhões de procedimentos ao longo do acordo. Também divulgou a compra de mais de 3.300 respiradores. “Essa combinação do diagnóstico, do tratamento e da preparação para a saida do distanciamento faz parte da estratégia de abordagem da Covid-19. A gente está atuando em três braços que são fundamentais. Um é entender melhor a doença, fazer o diagnóstico, entender a evolução. A segunda coisa é preparar a infraestrutura para o tratamento para que, nesse tempo em que a gente está afastado, que vai ser usado para melhorar, preparar para o cuidado. E o terceiro: a gente vai com essa preparação, desenhar esse programa de saída progressiva, estruturada e planejada do distanciamento social”, disse.

  • Nesta segunda-feira, 20, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também anunciou que irá divulgar na quarta-feira 22 um plano para reduzir de forma gradual a quarentena em todo estado a partir de 11 de maio, quando chega ao fim o decreto que determinou a paralisação de serviços não essenciais como forma de combater o avanço do coronavírus.

    Em publicação em sua página em uma rede social, o governador ressaltou que as medidas de abertura irão levar em conta os índices de disseminação da pandemia, a situação do sistema de saúde e o distanciamento social. “Todas as medidas estarão alinhadas com o Comitê de Saúde do Centro de Contingência do Coronavírus. A ciência continuará pautando nossa ações”, escreveu o governador. 

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    O decreto que instituiu a paralisação de serviços não essenciais em São Paulo foi publicado em 23 de março, com validade de 15 dias. O período de quarentena foi prolongado duas vezes e vale até o dia 10 de maio. A adoão da quarentena fez o tucano se tornar alvo de manifestações de rua protagonizadas por aliados de Bolsonaro, que chegaram a pedir o seu impeachment.

    Governadores

    Em uma reunião com os nove governadores do Nordeste, na tarde desta segunda-feira, 20, Teich se comprometeu a trabalhar de forma integrada com os governos estaduais e prefeituras. Durante a teleconferência, o ministro pediu que cada estado faça um levantamento do que foi solicitado à pasta e ainda não foi entregue. As informações devem ser enviadas ao ministério nesta terça-feira, 21.

    Os chefes dos executivos estaduais defenderam o isolamento social como medida de proteção. Teich afirmou que estava lá para “ouvir a todos e contribuir no que puder”. Por fim, marcou uma nova reunião com o grupo para quinta-feira 23.

    “Ele (Teich) aceitou integrar e apoiar os planos estaduais, propôs unificar metodologias e base de dados e agendou para amanhã, mesmo com feriado, reunião das equipes técnicas dele e dos estados para consolidar as principais informações sobre leitos disponíveis e o plano de expansão, recursos humanos, metodologias para exames e isolamento social”, relatou o o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

    Segundo Dias, o ministro Mandetta acertou um plano integrado com os governadores, mas não cumpriu. “É a chance de uma integração que foi perdida. Explicamos a ele (Teich) que é grande o risco de mais e mais estados entrarem em colapso. Na falta de condições de atendimento em um lugar, as pessoas procuram outro estado e geram um efeito dominó”, afirmou Dias.

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