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Sugestão da The Economist de que Lula não dispute reeleição pegou mal no governo; veja o que disseram

Ministros e políticos influentes do PT criticaram duramente o editorial da revista britânica, chamando-o de preconceituoso e etarista

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jan 2026, 16h42 • Atualizado em 2 jan 2026, 17h09
  • O editorial da revista britânica The Economist da última terça-feira que defendeu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não dispute a reeleição em 2026 repercutiu muito negativamente entre membros e apoiadores do governo federal brasileiro.

    Um dos principais argumentos usados no editorial foi a idade avançada do petista: 80 anos. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi uma das que fizeram duras críticas à publicação, afirmando que o verdadeiro motivo não é a idade avançada dele, mas suas políticas econômicas, que desagradam, segundo ela, o mercado financeiro global.

    “O verdadeiro risco que a reeleição do presidente Lula representa para a The Economist nunca foi a idade de um líder cheio de vitalidade e que cuida muito bem da saúde. O que eles temem é a continuação de um governo que retomou o crescimento do Brasil e não tem medo de enfrentar a injustiça tributária e social. A revista do sistema financeiro global, dos que fazem fortunas sem produzir nada, prefere que o Brasil volte a ser submetido aos mandamentos do “mercado”, abandonando as políticas públicas voltadas para o povo, o crescimento do emprego, dos salários e da renda das famílias. Não é para o ‘bem do Brasil’ que preferem Tarcísio; é por seus interesses, que não são os do país nem do povo brasileiro”, escreveu.

    Já o senador Humberto Costa (PT-PE), um dos petistas mais próximos de Lula, disse que a publicação da The Economist foi considerada estatista. “O editorial da The Economist sugerindo que Lula não se candidate em razão da idade é o grito de desespero de uma direita que reconhece que a economia brasileira cresceu ‘surpreendentemente rápido nos últimos anos’ e não tem nome para competir com um fenômeno chamado Lula”, escreveu o político. Ele também citou a previsão do Financial Times de vitória de Lula nas eleições para comparar com o conteúdo da The Economist.

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    Já o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que faltaram argumentos à revista e chamou o texto de preconceituoso. “Quando falta argumento político, sobra preconceito. Quando falta dado, inventa-se narrativa. Eles tentam desqualificar o Presidente Lula com base na idade e com falsas premissas e esquecem de dizer que o país está com o menor desemprego da história, a maior renda média da história e com a menor média da inflação”, disse.

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    Em seu editorial, a The Economist ainda traçou um paralelo entre Lula e o ex-presidente americano Joe Biden. Em julho de 2024, o democrata — à época com 81 anos e com sinais claros de dificuldades cognitivas –, anunciou que havia desistido da campanha à reeleição. Ele decidiu apoiar a sua então vice-presidente, Kamala Harris, como sua substituta na candidatura do Partido Democrata na eleição. Harris, por sua vez, acabou derrotada por Donald Trump.

    “Lula tem apenas um ano a menos do que Joe Biden tinha no ponto equivalente do ciclo eleitoral de 2024 nos Estados Unidos — que terminou de forma desastrosa. Ele parece estar em condição muito melhor do que Biden estava, mas já teve problemas de saúde”, afirmou a Economist, ressaltando ainda que, apesar de seu “talento político”, é “arriscado demais” para o Brasil ter alguém tão idoso no mais alto cargo da República. “Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, destacou a publicação.

    Outro ponto da defesa da The Economist foram os indicadores econômicos do Brasil, que, apesar de positivos, segundo a revista, são fruto de “políticas econômicas medíocres”.

    “Elas se concentram sobretudo em transferências aos pobres, acompanhadas de medidas de aumento de arrecadação que se tornam cada vez menos amigáveis aos negócios, embora ele tenha agradado aos empregadores com uma reforma para simplificar os impostos”, diz a publicação britânica, citando a aprovação da Reforma Tributária.

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