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Simone Tebet: “Não sou candidata de fachada”

Favorita agora para representar a terceira via na eleição, a senadora falou a VEJA sobre os grande desafios da empreitada

Por Reynaldo Turollo Jr., Diogo Magri, Tulio Kruse Atualizado em 4 jun 2024, 11h52 - Publicado em 27 Maio 2022, 06h00

Parte do MDB diz que sua candidatura serve para “segurar” líderes regionais que querem apoiar Bolsonaro ou Lula. Como vê a possibilidade de ser candidata de fachada, já que, na prática, membros de seu partido poderão fazer campanha para outro nome? Não existe candidatura de fachada quando você é candidata do maior partido do centro, tem um programa sério e um eleitorado que rejeita os dois nomes que estão na frente. Eu só preciso da legenda, do tempo de rádio e TV e dos verdadeiros amigos. Quando se fala que o MDB tendia mais para Bolsonaro do que para Lula, é verdade, por isso me procuraram. Entendem que o partido não pode estar atrelado a alguém que tem ideias que flertam com o autoritarismo. Mas as mesmas pessoas que dizem que iriam para Bolsonaro também dizem que, se eu for candidata, estarão comigo. Estou falando de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso.

A última pesquisa Real Time Big Data mostra que, mesmo sem João Doria no páreo, a senhora só tem 2% dos votos. Não é uma perspectiva desastrosa a menos de cinco meses das eleições? Isso mostra que eu sou desconhecida. Como tenho dito, minha candidatura é política, é para ter uma mulher falando qual Brasil nós, mulheres, queremos.

A senhora quer romper a polarização trazendo propostas. Marina Silva (Rede) tentou em 2018 e teve 1% dos votos. Não vai repetir isso? Não, faremos uma campanha diferente. Não quero apresentar agora nosso programa de governo, só as linhas mestras. Agora, quero me apresentar à sociedade. Não entro na polarização porque me recuso a achar que Lula e Bolsonaro são maiores que o Brasil. Temos de falar menos deles e mais do Brasil.

A senhora destaca que é mulher e é de centro. Em seu estado, dizem que já esteve muito mais à direita, ligada a pautas conservadoras, e nunca falou de feminismo. O que mudou? Nunca precisei falar porque eu não era do Parlamento, eu era do Executivo. Fui a prefeita que mais fez creches e escolas em Três Lagoas, que entregou casas a mulheres. Fui a primeira mulher a governar minha cidade, a primeira vice-governadora, a primeira a comandar a Comissão de Combate à Violência contra a Mulher no Congresso, a ser candidata à presidência do Senado e a ser presidente da comissão mais importante, a de Constituição e Justiça. É isso que é ser feminista para mim, não é abraçar uma ou duas pautas. Eu me recuso a achar que a esquerda tenha o direito de dizer que só mulher de esquerda é feminista.

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Como atraiu os empresários que declararam apoio a seu nome? Eu já tinha boa relação com o empresariado paulista porque busquei indústrias de São Paulo para abrirem filiais em Três Lagoas — Metalfrio, Votorantim, Klabin, Suzano, J&F. O fato de terem me escolhido só aumenta minha responsabilidade e reafirma que estamos no caminho certo.

Publicado em VEJA de 1 de junho de 2022, edição nº 2791

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