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Sanfoneiro de Bolsonaro, Gilson Machado faz esforço, mas não garante apoio de partido do Centrão a Flávio

Pré-candidato ao Senado por Pernambuco, ex-ministro do Turismo saiu do PL e se filiou ao Podemos

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 fev 2026, 11h45 • Atualizado em 26 fev 2026, 12h10
  • O ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, Gilson Machado, amigo pessoal e aliado de primeira hora do ex-presidente, tem declarado abertamente o seu apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No entanto, mais uma vez, ele encontra problemas partidários e pode não ter sua lealdade incondicional ao bolsonarismo respaldada pela sua atual legenda.

    Após enfrentar uma série de dificuldades no diretório pernambucano do PL, Machado se desfiliou do partido no final de janeiro, com a promessa de que encontraria uma outra legenda para se lançar candidato ao Senado e abrir palanque para Flávio Bolsonaro no estado. Após o Carnaval, ele anunciou sua filiação ao Podemos, em um evento ao lado da presidente nacional da sigla, Renata Abreu.

    Logo em seguida, Machado deu início a um movimento de forte campanha por Flávio Bolsonaro — chegando inclusive a ser acusado de descumprir a legislação eleitoral –, em um movimento que aproximaria o Podemos da campanha de Flávio. No entanto, o respaldo a essa posição não será dado de maneira tão natural, somente pela presença do novo integrante do partido. Questionada por VEJA, a assessoria da legenda disse que ainda é cogitado o cenário, tanto estadual quanto nacional, em que não se dará apoio a Flávio Bolsonaro e que as definições oficiais ainda serão tomadas.

    Caso consiga levar o Podemos para o lado de Flávio, Gilson Machado fará um dos primeiros movimentos nesse sentido, de conquistar apoio de partidos do Centrão para a candidatura presidencial bolsonarista — que enfrenta resistência do centro político.

    Acusação de campanha irregular

    Após ter sido acusado pelo PT de fazer campanha eleitoral irregular e antecipada para Flávio Bolsonaro, Gilson Machado negou ter cometido crime eleitoral.

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    Em um vídeo em que aparece ao lado do ex-ministro da Saúde, o paraibano Marcelo Queiroga, na terça-feira, 17, Machado alegou que adesivos feitos para divulgar a campanha de Flávio foram feitos com dinheiro privado e que não pedem explicitamente o voto de ninguém em nenhum número específico. “Vão entrar agora com um processo contra Gilson Machado por eu ter… Estão aqui os adesivos. Cada um faz o seu, é um movimento espontâneo. Estão nas minhas redes sociais, quem quiser baixe o adesivo de Flávio Bolsonaro, porque é com o dinheiro de cada um que acredita numa pré-campanha. Isso não é ilegal. Não está falando em campanha, não tem número, nada (…). Esse adesivo não é feito com dinheiro público. Brevemente, teremos vários adesivaços. Não só aqui em Pernambuco, como em todo Nordeste”, disse Machado.

    Em outro vídeo, no entanto, também ao lado de Queiroga e publicado nas redes sociais dos dois, em colaboração, Machado diz que está em campanha por Flávio. “A gente está aqui nesta campanha. Não tem meu nome, nem o seu, Queiroga. Tem o nome de Flávio, porque a gente tem que correr atrás das eleições de Flávio Bolsonaro no Nordeste neste ano”, afirma. Já Queiroga complementa em tom de solicitação de voto: “Agora, em 2026, você que é admirador de Jair Bolsonaro, você vota em Flávio Bolsonaro. Nós somos admiradores dos dois”.

    Pela lei, não configuram propaganda eleitoral antecipada a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet, desde que não envolva pedido explícito de voto.

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    Saída do PL após guerra interna

    Machado saiu do PL porque enfrentava um forte embate no diretório estadual de Pernambuco, comandado pelo ex-deputado Anderson Ferreira — autor do Estatuto da Família. Ambos competiam pela candidatura ao Senado, visto que a direita bolsonarista não tem muita força no estado, e acredita-se que apenas seja capaz de eleger um único senador.

    De um lado, Machado sempre contou com o apoio de Jair Bolsonaro para entrar na disputa — e anunciava aos quatro cantos: “O presidente já disse várias vezes que eu sou o senador dele em Pernambuco”. Do outro, Anderson Ferreira, que está no PL desde muito antes do bolsonarismo e seus quadros se filiarem, conta com o apoio do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, e, como presidente estadual, tem o poder de decidir quais candidaturas são lançadas ou não.

    “Minha relação com o [ex-]presidente [Jair Bolsonaro] não é de circunstância, foi e é uma parceria construída e baseada na confiança, valores e projetos em comum por um Brasil melhor e mais justo. Continuo sendo o nome defendido pelo presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco. Porém não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão. Dessa forma, sigo minha caminhada alinhada aos valores do presidente Bolsonaro”, completou Machado em uma carta divulgada à imprensa e nas redes sociais.

    A candidatura de Machado deve dividir votos da direita bolsonarista no estado, favorecendo a eleição dos senadores que apoiam o projeto lulista.

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