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Revogação da Magnitsky reforça racha na direita e isola Eduardo Bolsonaro

Governo de Donald Trump voltou atrás nesta sexta-feira, 12, e retirou ministro Alexandre de Moraes e esposa da listagem

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 dez 2025, 11h30 • Atualizado em 15 dez 2025, 11h09
  • A decisão do governo de Donald Trump de revogar a inclusão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, na lista de pessoas sancionadas pela Lei Magnitsky nesta sexta-feira, 12, reforçou o isolamento do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), autoexilado nos Estados Unidos desde março deste ano.

    A sanção ao ministro foi uma medida costurada com as digitais do Zero Três e de Paulo Figueiredo (influenciador bolsonarista que também reside em solo americano), assim como a sobretaxa em cima da importação de produtos brasileiros.

    O recuo do governo Trump no tarifaço, ainda que parcial, e a retirada de Moraes da lista da Magnitsky foram duas derrotas duras para o bolsonarismo, que tentou usar essas duas ferramentas como moeda de troca pela liberdade do ex-presidente. Além dessa moeda ter perdido de vez o valor, o Supremo não cedeu à pressão e condenou Bolsonaro a quase três décadas atrás das grades, pena que ele já começou a cumprir.

    O episódio desta sexta-feira, 12, agravou ainda mais o isolamento de Eduardo, que, nos últimos meses, protagonizou conflitos com várias lideranças e aliados estratégicos do seu campo político. Um dos motivos foi o fato de o deputado ter dito que o recuo nas sanções dos EUA era culpa da desunião e da falta de ação da direita no Brasil. “É o que sobrou” postou Nikolas, ironizando as derrotas em série de Eduardo e a tentativa dele de dividir a culpa pelo fracasso. Nikolas também trocou  farpas com Allan dos Santos, blogueiro bolsonarista foragido da Justiça brasileira nos EUA.

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    Isolado fisica e agora politicamente no exterior, Eduardo já alfinetou Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), governador de São Paulo e sucessor da direita almejado pelo mercado financeiro, o pastor Silas Malafaia, aliado de primeira hora do bolsonarismo, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), A lista completa, no entanto, é bem mais longa.

    Além do fator político, também há um componente jurídico importante. A tentativa de intervir junto ao governo dos EUA por sanções a autoridades brasileiras rendeu a Eduardo um processo criminal no STF, ao mesmo tempo que a sua mudança para o país de Trump pode acabar lhe custando o cargo de deputado federal, por conta da quantidade de faltas às sessões. Inicialmente, o deputado saiu do Brasil com uma licença, que venceu sem ser renovada.

    Reportagem de capa de VEJA de 1º de junho mostrou que, nos bastidores do bolsonarismo, Eduardo era cogitado como um quadro viável para a presidência da República, sucedendo o pai — posto agora ocupado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recebeu o bastão das mãos do ex-presidente. Ao comentar o recuo do governo Trump nesta sexta, Eduardo usou a expressão “pesar”, expressão frequentemente atrelada ao luto. A morte, no caso, é da sua estratégia.

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