Quem é o ex-prefeito que cogita o governo do Rio com apoio velado do Guanabara
André Português, que administrou Miguel Pereira, articula saída do PL para lançar candidatura ao Executivo estadual
Insatisfeito com os rumos que se desenham no PL em torno da eleição-tampão no Rio, o governador Cláudio Castro (PL) está incentivando, nos bastidores, uma candidatura para competir com a do próprio partido em outubro. Reservadamente, Castro endossou o nome de André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira, para a corrida ao Palácio Guanabara. O ex-prefeito está atualmente no PL, mas iniciou conversas para migrar para o Republicanos ou outro partido conservador para concretizar os planos políticos.
André começou a circular pelo estado em um beija-mão de prefeitos. Fontes do PL asseguram que o governador deu apoio ao correligionário em sua empreitada para 2026. Um aliado do ex-prefeito reconhece, no entanto, que o incentivo é velado e que Cláudio Castro não estará em seu palanque, se a candidatura vingar, já que o governador será candidato ao Senado pelo Partido Liberal. Oficialmente, André afirma que sua candidatura é independente e que a construção não passa pelo governador.
O jogo duplo de Cláudio Castro decorre de sua irresignação com o próprio partido por causa da eleição-tampão. O Rio terá duas eleições neste ano. A primeira será indireta, na Assembleia Legislativa, para definir um nome para concluir o mandato do governador depois que ele deixar o cargo para lançar candidatura ao Senado. O prazo máximo para a desincompatibilização vai até abril. A segunda, em outubro, será nas urnas.
A ala do PL ligada ao senador Flávio Bolsonaro e ao presidente do diretório estadual do partido, Altineu Côrtes, dão como certa a indicação de Douglas Ruas, que já foi anunciado pré-candidato para outubro, também para o mandato-tampão. Esse grupo avalia que, com a máquina na mão, ele pode se tornar mais conhecido junto ao eleitorado e fazer frente a Eduardo Paes (PSD), seu adversário, que já tem um nome consolidado no estado.
Já o governador tenta emplacar para o mandato-tampão o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, alegando que ele conhece a máquina pública. O grupo de Castro também argumenta que, com o início da campanha, no segundo semestre, o governo será alvo de ataques e é melhor que o candidato das urnas não esteja com a caneta na mão. Com isso, Miccione, que não tem pretensões políticas, poderia funcionar como esponja e absorver os ataques.
André Português confirmou a VEJA que recebeu apoio do governador para lançar a candidatura. Disse também que Castro não poderia se comprometer publicamente com ele na campanha. “Ele não pode falar não”, admitiu. O ex-prefeito afirmou ainda que Altineu Côrtes levou em consideração o “interesse próprio” ao defender a candidatura de Douglas Ruas. Após a publicação da reportagem, André recuou e encaminhou a seguinte nota: “A assessoria de André Português afirma que ele é pré-candidato ao Governo do Estado. No entanto, a construção da candidatura não passa pelo governador Cláudio Castro. Ele recebeu convite de três grandes legendas. André Português ressalta sua gratidão a Cláudio Castro pelos investimentos realizados em Miguel Pereira ao longo do tempo em que foi prefeito da cidade, por dois mandatos consecutivos. Apesar disso, ele seguirá um projeto independente nas próximas eleições.”





