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O motivo para Moraes proibir a visita de assessor de Trump a Bolsonaro

Ministro recuou nesta quinta-feira, 12, do pedido que já havia sido autorizado antes

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 19h24 • Atualizado em 12 mar 2026, 19h49
  • O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou nesta quinta-feira, 12, a decisão já dada e proibiu a visita de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha. O encontro entre os dois já havia sido autorizado a acontecer no dia 18 de março, mas nesta manhã o ministro pediu explicações ao Ministério das Relações Exteriores sobre o encontro. Depois das informações prestadas pela pasta, o magistrado voltou atrás e proibiu o encontro.

    O principal motivo mencionado pelo ministro foi uma questão envolvendo o visto diplomático. A defesa de Bolsonaro argumentou que o objetivo da visita do assessor de Trump eram agendas diplomáticas que ele teria no país. No entanto, segundo o Minstério das Relações Exteriores, não havia nenhum encontro dessa natureza com Beattie. A única agenda informada pelo Departamento de Estado Americano, ao qual ele pertence, era um fórum sobre minerais críticos.

    “Não houve, como se depreende das informações encaminhadas aos autos, a indicação de qualquer outro compromisso, diplomático ou não, além do comparecimento, em São Paulo, no próximo dia 18/3, na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM), para a participação no fórum mencionado. O processamento e a concessão do visto ocorreram, exclusivamente, com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América”, diz trecho da decisão.

    Moraes argumentou que, como Beattie não possui quaisquer compromissos diplomáticos agendados, seu visto pode inclusive ser revisto pelo Ministério das Relações Exteriores. “A realização da visita de Darren Beattie, requerida neste autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, afirma outro ponto da decisão.

    Beattie é assessor de políticas brasileiras do Departamento de Estado Americano, ficando abaixo do secretário de Estado Marco Rubio. Ele é um crítico do governo brasileiro e do ministro Alexandre de Moraes, a quem já chamou de “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”. O chanceler brasileiro Mauro Vieira disse que via “risco de ingerência” dos Estados Unidos em assuntos do governo brasileiro com a visita que Beattie pretendia fazer a Bolsonaro.

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