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Por que a cassação de Glauber Braga não avançou? O que falou mais alto na decisão da Câmara

Avaliação de que não havia votos para a cassação levou Centrão e PL a recuar e optar por punição intermediária ao deputado do PSOL

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 dez 2025, 17h30
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A decisão da Câmara dos Deputados de aplicar uma punição mais branda ao deputado Glauber Braga, em vez de levar adiante um processo de cassação, escancarou o peso do corporativismo parlamentar e aprofundou a percepção de desorganização e conflito interno no Legislativo. Segundo bastidores relatados no programa Os Três Poderes desta sexta, 12, a avaliação dominante entre líderes do Centrão e do PL era clara: não havia votos suficientes para derrubar o mandato do parlamentar (este texto é um resumo do vídeo acima).

O argumento que prevaleceu nas articulações foi o risco institucional de abrir um precedente perigoso. A pergunta que circulou entre os caciques foi direta: o Congresso estaria disposto a cassar um deputado que sequer foi condenado pela Justiça? Diante dessa dúvida, falou mais alto o espírito de corpo, e não um acordo político com o próprio Glauber Braga, que mantém relação conflituosa com a maior parte da Casa.

Por que a cassação não avançou?

A leitura interna era de que submeter a cassação ao plenário poderia resultar em derrota, o que fragilizaria ainda mais a autoridade da Câmara. Mesmo parlamentares que não simpatizam com Glauber Braga reconheceram que a maioria necessária para a perda de mandato não estava assegurada.

O temor era menos ideológico e mais pragmático. Deputados de diferentes partidos demonstraram receio de que a punição extrema pudesse, no futuro, ser usada contra qualquer parlamentar por episódios semelhantes. A solução encontrada foi uma saída intermediária, que garantisse algum tipo de punição sem o desgaste de uma votação fracassada.

Como Glauber se salvou mesmo isolado?

A sobrevivência política de Glauber Braga chama atenção pelo isolamento do deputado. Ele coleciona desafetos no Centrão, na direita e também dentro da esquerda. No PSOL, integrou o grupo que defendeu candidatura própria em 2022, resistiu ao apoio a Lula no segundo turno e, depois da eleição, defendeu que o partido fizesse oposição ao governo petista.

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Mesmo com poucos aliados, o deputado se beneficiou justamente do corporativismo que domina o Parlamento. A avaliação geral não foi sobre sua trajetória ou comportamento, mas sobre a conveniência institucional de levá-lo à forca política sem respaldo seguro de votos.

O episódio agravou tensões internas no PL?

A confusão em torno da votação provocou efeitos colaterais dentro do PL. O vice-líder da sigla, deputado Bibo Nunes, votou pela suspensão do mandato, contrariando a posição defendida pelo líder Sóstenes Cavalcante, que queria a cassação. A reação foi imediata: Bibo Nunes perdeu o posto de vice-líder.

O episódio gerou troca pública de farpas nas redes sociais. Bibo Nunes alegou que faltou realismo à liderança do partido e afirmou que não havia votos suficientes para a cassação. A crise expôs divisões internas e reforçou a percepção de decisões tomadas mais por impulso do que por cálculo político.

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O que o caso revela sobre a Câmara hoje?

Na avaliação do colunista José Benedito da Silva, o episódio simboliza um problema mais amplo: falta liderança e maturidade política na Câmara dos Deputados. Líderes partidários de siglas centrais estariam focados em disputas menores, enquanto conflitos se acumulam sem coordenação.

O líder do PT, partido do governo, mantém embate aberto com o presidente da Câmara, Hugo Motta, a quem acusa de perder autoridade para conduzir a Casa. Ao mesmo tempo, decisões judiciais envolvendo o STF aumentam a temperatura política, aprofundando o clima de instabilidade.

Entre disputas internas, punições improvisadas e ausência de consenso, o caso Glauber Braga tornou-se mais um sintoma de um Congresso em que o corporativismo ainda dita as regras — e onde, segundo avaliação recorrente nos bastidores, falta “adulto na sala” para restabelecer o comando político.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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