Na lista de indiciados? Os próximos passos para Lulinha na CPMI do INSS
Vice-presidente da comissão admite blindagens cruzadas, critica ativismo judicial e deixa em aberto eventual indiciamento do filho de Lula
A reta final da CPMI do INSS escancara o tamanho do escândalo — e as dificuldades políticas para aprofundar a investigação. Em entrevista ao Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o vice-presidente da comissão, o deputado Duarte Jr., afirmou que há “documentos que comprovam uma série de ilegalidades”, mas reconheceu entraves internos e resistências para convocar personagens considerados sensíveis (este texto é um resumo do vídeo acima).
No centro da disputa está a fraude bilionária envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo dados apresentados na própria CPMI, cerca de 5 milhões de aposentados foram atingidos, num universo estimado de 6,3 bilhões de reais desviados.
Por que o depoimento do dono do Banco Master não ocorreu?
Um dos pontos de maior frustração foi a ausência do banqueiro Daniel Vorcaro, que não compareceu após decisão do ministro André Mendonça tornando facultativa sua presença.
Duarte Jr. classificou a decisão como ambígua: negativa por permitir que o investigado não prestasse esclarecimentos públicos, mas positiva por devolver à CPMI e à Polícia Federal os documentos oriundos da quebra de sigilo.
“Essas informações são fundamentais para avançarmos nas verificações”, afirmou o deputado.
A CPMI blindou personagens centrais?
Questionado pelo colunista Robson Bonin sobre lacunas na investigação — especialmente a não convocação de figuras politicamente sensíveis — Duarte admitiu que faltou maturidade de parte dos membros.
Segundo ele, há “grupos da esquerda que tentam esconder erros de governos da esquerda e grupos da direita que tentam esconder erros da direita”. A fraude, afirmou, atravessou três governos: Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Bonin destacou que tentativas de convocar o filho do presidente, Lulinha, e quebrar sigilos de pessoas ligadas a ele não avançaram. O deputado confirmou que há documentos apontando uma relação suspeita entre Lulinha e Antônio Antunes — preso no âmbito da investigação — incluindo viagem no mesmo avião para Portugal.
Lulinha pode ser indiciado?
Perguntado diretamente se Lulinha pode constar na lista de indiciados, Duarte Jr. evitou antecipar conclusões.
“Há um acordo entre mim, o presidente e o relator de não compartilhar essas informações agora”, disse. Mas deixou uma ressalva: “Aqueles contra os quais existem documentos que comprovam rastro de corrupção, seja com vantagem direta ou indireta, haverá o indiciamento.”
A resposta mantém o nome do filho do presidente no radar político da CPMI.
O que já foi recuperado — e o que ficou pelo caminho?
Segundo o vice-presidente da comissão, mais de 3 bilhões de reais já teriam sido devolvidos aos cofres públicos. Há mais de duas dezenas de investigados presos, incluindo figuras do alto escalão.
Ainda assim, Bonin avalia que o desfecho pode ser “melancólico”. Em ano eleitoral, cresce no Congresso a pressão para encerrar o assunto. A prorrogação por mais 60 dias depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não demonstra entusiasmo com a continuidade.
Enquanto isso, a Polícia Federal avança em ritmo próprio — inclusive em frentes relacionadas ao Banco Master, cujo rombo estimado ultrapassaria 50 bilhões de reais.
A CPMI perdeu força?
Para Bonin, há um sentimento generalizado no Congresso de que o escândalo precisa “acabar logo”. Lobby de direita e esquerda se uniriam, segundo ele, na proteção de seus próprios quadros.
O resultado pode ser um relatório final com baixa efetividade política, mesmo diante da magnitude do prejuízo social.
A investigação que começou com indignação pública e promessa de responsabilização ampla chega à reta final sob o risco de terminar sem alcançar todos os elos da cadeia — inclusive aqueles mais próximos do poder.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





