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Pesquisa: o desempenho fraco de Doria, Mandetta e Huck – e a exceção Moro

Candidaturas fragmentadas podem favorecer polarização em 2022; ex-ministro da Justiça surge como opção à centro-direita por vaga no segundo turno

Por Redação Atualizado em 30 jul 2020, 18h27 - Publicado em 25 jul 2020, 13h03

A dois anos da eleição presidencial de 2022, o cenário indica desde já que a polarização vista na campanha de 2018 pode se repetir diante da pulverização de possíveis candidaturas de centro. Pesquisa exclusiva do instituto Paraná Pesquisas feita para VEJA mostra que candidatos moderados, sobretudo à centro-direita, não decolam, mesmo com nomes conhecidos ou já testados nas urnas, a exemplo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), do apresentador da TV Globo Luciano Huck, do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e do empresário João Amoêdo (Novo).

A tanto tempo do pleito, as variáveis não são nada desprezíveis, assim como a possibilidade de composição entre os possíveis candidatos deste ponto do espectro político. Até agora, no entanto, o fato é que os quatro nomes não chegam a atingir dois dígitos no levantamento, feito entre os dias 18 e 21 de julho, com margem de erro de dois pontos porcentuais.

Eleito em primeiro turno prefeito de São Paulo em 2016 e governador paulista em 2018, Doria marca apenas 3,8%, 4% e 4,6% da preferência nos três cenários de primeiro turno em que é testado. Embora o numeroso eleitorado paulista e a poderosa máquina do governo estadual indiquem que o tucano está aquém de seu potencial eleitoral, serve-lhe de alerta o desempenho pífio do candidato do PSDB ao Palácio do Planalto em 2018, Geraldo Alckmin, atropelado por Bolsonaro à direita e pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT) entre os que não queriam nem o capitão nem Fernando Haddad (PT).

Quando é colocado em disputa contra Jair Bolsonaro no segundo turno, Doria aparece com 23% da preferência, sem conseguir capitalizar os 48% que desaprovam o governo do presidente ou sequer os 38% que classificam o governo dele como ruim ou péssimo. Apesar da rejeição expressiva apontada pelo levantamento, Bolsonaro fica com 51,7% no confronto contra o tucano.

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Candidato a presidente há dois anos, quando ficou em quinto lugar, abaixo de Alckmin, com 1,8% dos votos totais, Amoêdo varia de 3,4% a 4%. Já Huck, há vinte anos em horário nobre na TV, tem de 6,5% a 8,3% da preferência no primeiro turno e é batido por 50,8% a 27,6% no segundo turno por Bolsonaro. No único cenário em que aparece, Mandetta tem 5,7%. Enquanto pessoas próximas a Huck dizem que seu interesse em entrar na corrida eleitoral esfriou, o ex-ministro da Saúde disse à BandNews TV nesta semana que participará “ativamente” do pleito de 2022, como candidato a presidente ou vice. Nos bastidores, cogita-se uma chapa entre ele e Doria ou o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Moro

Novidade como força política relevante à centro-direita, Moro é exceção. Fora do governo desde abril, o ex-juiz da Operação Lava-Jato aparece com percentuais entre 17,1% e 16,8% das intenções de voto e desponta como um dos principais adversários do presidente Jair Bolsonaro. Uma candidatura sua, indicam os números, o credenciaria a disputar com o PT o posto de adversário de Jair Bolsonaro no segundo turno – apesar dos problemas políticos do presidente, o levantamento mostra que ele já larga com um pé na parte decisiva da eleição e seria o favorito a se reeleger.

“O eleitor de centro-direita não consegue visualizar nenhuma alternativa ao nome do presidente no momento, então continua aderindo a ele. Moro sinaliza isso, mas quando sai do ministério, fica encolhido. A lógica eleitoral é a da gôndola do supermercado, você não escolhe o ideal, mas sim o que está ali”, compara o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, especialista em pesquisas eleitorais. “Se esses candidatos se articularem, se altera o cenário de segundo turno. Se a oposição conseguir construir o tal arco democrático, há um potencial expressivo contra Bolsonaro”, avalia.

À centro-esquerda, o terceiro colocado na eleição de 2018, Ciro Gomes, varia de 8,3% a 10,7% da preferência do eleitorado nos cenários de primeiro turno e se mantém como alternativa ao PT no campo. Ele empata tecnicamente com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad em dois cenários, nos quais fica numericamente abaixo do petista (13,4 a 9,9% e 14,5% a 10,7%). Em simulações de segundo turno contra Bolsonaro, Ciro perde por 48,1% a 31,1% e Haddad, por 46,6% a 32%.

Na eleição passada, o ex-ministro teve alianças esvaziadas por articulações do ex-presidente Lula, criticado com frequência pelo pedetista em função do que ele vê como hegemonismo petista à esquerda. Depois do fiasco eleitoral de 2018, quando teve menos votos que o excêntrico Cabo Daciolo, a ex-ministra Maria Silva (Rede), no mesmo campo que Ciro Gomes, aparece com 2,5% da preferência.

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