Peça-chave no inquérito do golpe, Braga Netto é preso pela Polícia Federal
Operação apura uma suposta ação para atrapalhar as investigações

A Polícia Federal prendeu na manhã deste sábado, 14, o ex-ministro e general da reserva Walter Braga Netto.
O candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022 foi um dos 37 indiciados pela PF no inquérito que apura uma tentativa de golpe após as eleições.
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Em nota, a PF informou que foram cumpridos neste sábado um mandado de prisão preventiva, dois mandados de busca e apreensão e uma cautelar diversa da prisão contra pessoas que estariam atrapalhando a produção de provas durante o processo. O coronel da reserva Flávio Peregrino, um dos assessores mais próximos a Braga Netto, foi alvo de buscas.
Segundo a corporação, a medida “tem como objetivo evitar a reiteração das ações ilícitas”.
Braga Netto estava em sua casa no Rio de Janeiro no momento da operação e ficará sob custódia do Exército, no Comando da 1ª Divisão. A defesa do ex-ministro ainda não se manifestou. O Exército informou que acompanha as diligências e que colabora com as investigações em curso.
PF: Militar teve participação ‘concreta’ nos atos
Em relatório divulgado em 21 de novembro, a PF apontou Braga Netto como peça-chave na operação para uma virada de mesa após a derrota de Jair Bolsonaro. No parecer já havia, sem mais detalhes, a menção a uma tentativa de embaraçamento e obstrução das investigações por parte do general.
Um documento encontrado na mesa ocupada por Flávio Peregrino, braço-direito de Braga Netto, esmiuçava perguntas e respostas sobre o acordo de delação firmado pelo tenente-coronel Mauro Cid, cujo teor até hoje é mantido sob sigilo. Braga Netto também teria tentado informações do acordo com familiares do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
O militar foi indiciado pelos crimes de organização criminosa e tentativa de abolição do Estado democrático e de golpe de Estado. Segundo os investigadores, Braga Netto reuniu em sua residência em novembro de 2022 um grupo de militares das forças especiais, os chamados kids pretos, para apresentar um plano golpista para levar a cabo uma ação para impedir a posse do presidente Lula e para limitar as ações do poder Judiciário.
O general sempre negou ter realizado esse encontro em sua residência. Em delação, no entanto, Mauro Cid confirmou que a reunião aconteceu na casa de Braga Netto.
Além disso, Braga Netto é suspeito de ajudar a financiar os atos golpistas. Em conversa dois dias após a reunião dos kids pretos, um major envolvido na operação pede a Mauro Cid recursos para financiar os atos. “Só uma estimativa com hotel. Alimentação. Material. 100 mil?”, questionou Cid, indicando que iria providenciar a verba. Segundo a PF, o valor foi repassado por Braga Netto.
O militar ainda teve uma “participação ativa”, segundo a PF, para pressionar os comandantes do Exército e da Aeronáutica a aderirem ao roteiro golpista.
Os investigadores também encontraram um documento que trazia a previsão de criação de um Gabinete Institucional de Gestão da Crise que seria instituído em 16 de dezembro, após a concretização do golpe. Braga Netto seria o coordenador-geral desse órgão montado para assessorar Bolsonaro após a ruptura.
Esse documento foi encontrado com o general Mário Fernandes, também preso pela PF. O militar também desenhou um plano para monitorar e assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.