PCC como grupo terrorista? Promotor alerta para risco ao Brasil
Lincoln Gakiya diz que facções brasileiras são “organizações mafiosas”, não terroristas, e vê risco de sanções e militarização do combate ao crime
A possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções brasileiras como organizações terroristas abriu um novo debate sobre segurança pública e relações internacionais. O promotor Lincoln Gakiya afirmou que essa mudança pode gerar efeitos negativos para o Brasil e prejudicar a cooperação policial entre os dois países (este texto é um resumo do vídeo acima).
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, Gakiya relatou que representantes ligados ao governo do presidente Donald Trump procuraram autoridades brasileiras para entender melhor a atuação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho.
Segundo ele, o objetivo das reuniões foi coletar informações para um relatório que poderá subsidiar uma decisão do governo americano.
Por que os EUA estão investigando o PCC?
De acordo com Gakiya, emissários ligados ao secretário de Estado americano Marco Rubio estiveram no Brasil para entender o alcance internacional do PCC.
O interesse se concentra na expansão transnacional da facção e na possibilidade de atuação em território americano.
“Eles estavam reunindo informações para elaborar um relatório que seria encaminhado ao secretário para subsidiar uma decisão do presidente Trump”, explicou o promotor.
PCC e Comando Vermelho são organizações terroristas?
“Essas organizações não têm objetivo ideológico ou político”, afirmou.
Gakiya explicou que, tanto pela legislação brasileira quanto pelos critérios adotados pela ONU e por diversos países, grupos terroristas precisam ter motivação política ou ideológica — algo que não existe nas facções brasileiras.
Segundo ele, o mais correto é classificá-las como organizações criminosas transnacionais de perfil mafioso.
O que mudaria se os EUA classificarem as facções como terroristas?
O promotor alertou que a decisão pode trazer efeitos diplomáticos e operacionais.
“Quando você classifica essas organizações como terroristas, o assunto deixa de ser policial e passa a ser de segurança de Estado”, disse.
Nesse cenário, o combate deixaria de ser conduzido apenas por agências policiais, como FBI e Polícia Federal do Brasil, e poderia envolver serviços de inteligência e estruturas militares, como a Central Intelligence Agency.
Além disso, sanções econômicas e restrições comerciais poderiam ser aplicadas contra países que abrigam organizações classificadas como terroristas.
As facções praticam atos terroristas?
Apesar de rejeitar a classificação formal, Gakiya reconhece que episódios de violência extrema podem ter natureza terrorista.
“Essas facções praticam atos de natureza terrorista, mas isso não quer dizer que sejam organizações terroristas”, explicou.
Ele citou ataques coordenados promovidos pelo PCC em 2006 em São Paulo como exemplo de ações com impacto semelhante ao terrorismo.
Como combater o crime organizado no Brasil?
O promotor defendeu uma política permanente de segurança pública baseada em inteligência e investigação financeira.
Segundo ele, disputas políticas e estratégias eleitorais acabam prejudicando o combate às facções.
“Precisamos de uma política de segurança pública de Estado, e não de governo”, afirmou.
Estudos citados por Gakiya indicam que cerca de um terço do território brasileiro sofre influência direta de organizações criminosas.
PCC e Comando Vermelho agem da mesma forma?
Segundo o promotor, há diferenças relevantes na forma de atuação das duas facções.
No caso do PCC, ele afirma que a organização busca estabelecer relações de convivência com comunidades carentes.
“O PCC normalmente promove uma simbiose com a comunidade”, disse.
Já no Rio de Janeiro, grupos como o Comando Vermelho tendem a impor controle violento, cobrando taxas e explorando serviços básicos da população.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





