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Os efeitos drásticos no bolsonarismo após a retirada de Moraes da Lei Magnitsky

Fim das punições impostas pelos EUA ao ministro do STF expõe o isolamento internacional da família Bolsonaro, diz analista político

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 dez 2025, 17h58 •
  • A decisão do governo dos Estados Unidos de retirar as sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes marcou um revés significativo para o bolsonarismo e evidenciou o fracasso de uma estratégia internacional conduzida, sobretudo, pelo deputado Eduardo Bolsonaro. O movimento, articulado ao longo de cinco meses entre as diplomacias brasileira e americana, foi interpretado como um gesto de pragmatismo do governo Trump diante de interesses mais amplos com o Brasil. O tema foi debatido no programa Ponto de Vista desta segunda, 15 (este texto resume o vídeo acima).

    A reversão das sanções ocorreu em meio a negociações que também envolveram o tarifaço imposto a produtos brasileiros, ainda mantido em 20% para parte relevante da pauta de exportações. Mesmo assim, o gesto americano foi suficiente para desmontar a narrativa bolsonarista de que haveria respaldo internacional para confrontar instituições brasileiras.

    Por que a retirada das sanções foi um golpe para o bolsonarismo?

    Segundo o cientista político Carlos Melo, o episódio escancara uma sequência de erros estratégicos cometidos pelo bolsonarismo desde o fim do governo Jair Bolsonaro. A aposta em uma articulação internacional da extrema direita, que teria nos Estados Unidos seu principal fiador, revelou-se equivocada.

    Eduardo Bolsonaro, principal elo entre o bolsonarismo e esse movimento global, acreditou que a eleição de Donald Trump garantiria pressão suficiente sobre o Estado brasileiro para enfraquecer o Supremo Tribunal Federal. A retirada das sanções, porém, mostrou que interesses comerciais e diplomáticos falaram mais alto do que afinidades ideológicas.

    Como o governo Lula foi beneficiado por esses erros?

    Apesar de suas fragilidades internas, o governo Lula tem sido favorecido, na avaliação de Carlos Melo, pela atuação desastrada da oposição. Trata-se de um governo de minoria no Congresso, sem maioria estruturada e sem um projeto claro de longo prazo para o país, mas que se mantém politicamente protegido pelos equívocos recorrentes do bolsonarismo.

    Desde a recusa em aceitar o resultado eleitoral de 2022 até a articulação de uma tentativa de golpe — que chegou a incluir planos de assassinato de autoridades —, a oposição criou um ambiente que fortaleceu institucionalmente o Judiciário e isolou politicamente seus principais líderes.

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    Qual foi o papel da diplomacia brasileira?

    A reversão das sanções também evidenciou o peso da diplomacia brasileira, que atuou de forma discreta e pragmática. Em vez de retaliações ou confrontos públicos, o governo brasileiro optou por negociação, diálogo e articulação nos bastidores, inclusive com a participação de empresários com trânsito junto à Casa Branca.

    Esse movimento contrastou com a estratégia do bolsonarismo, baseada na expectativa de que pressões externas suplantariam a atuação do Itamaraty — um erro, segundo Melo, diante da tradição e do prestígio internacional da diplomacia brasileira.

    O que restou do bolsonarismo após esse episódio?

    Para o cientista político, o bolsonarismo sai do episódio enfraquecido, mas o grupo ainda detém um capital eleitoral relevante e uma base consistente de apoiadores, identificados com o sobrenome Bolsonaro. No entanto, esse capital já não é suficiente para impulsionar uma candidatura competitiva em nível nacional sem enfrentar um obstáculo central: a rejeição.

    O movimento vive hoje uma contradição estrutural. Possui um piso eleitoral elevado, sustentado por um eleitorado fiel, mas enfrenta um teto baixo, imposto pela rejeição acumulada após sucessivos erros políticos, institucionais e internacionais.

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    Qual é a estratégia atual da família Bolsonaro?

    Diante desse cenário, a decisão do clã Bolsonaro foi seguir explorando eleitoralmente esse capital remanescente para negociar politicamente. O objetivo central, segundo Carlos Melo, é usar essa força para tentar obter algum alívio na condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Mais do que um projeto de poder, trata-se agora de uma estratégia defensiva: manter relevância suficiente para barganhar em um ambiente institucional que já não oferece as proteções imaginadas no passado.

    Um movimento em declínio?

    A retirada das sanções a Alexandre de Moraes simboliza mais do que um revés pontual. Ela expõe o isolamento internacional do bolsonarismo, a fragilidade de suas articulações externas e a dificuldade crescente de transformar apoio ideológico em poder efetivo.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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