Os dilemas da campanha de Lula no Rio de Janeiro
Militância reclama da falta de material e de visibilidade nas ruas
A falta de visibilidade da campanha de Lula (PT) no Rio de Janeiro preocupa candidatos de esquerda e a militância. A reclamação, que gera debate nas redes e entre candidatos da base, é de que não há material – especialmente adesivos e bandeiras – do petista nas ruas. As queixas ocorrem em momento delicado na disputa pelo voto dos fluminenses: Lula chegou a um empate com Flávio Bolsonaro (PL) no estado, mas nas últimas semanas pesquisas apontam para o adversário novamente na dianteira.
O que se vê no Rio são candidatos a deputado estadual e federal, especialmente do PT e do PSOL, distribundo nas calçadas material próprio em dobradinha, constando o nome ou imagem do presidente, candidato à reeleição. Já os adesivos só com a propaganda de Lula, famosos em campanhas passadas da esquerda, são raros de encontrar.
A ausência de militantes em grupos com bandeiras do petista nas esquinas também chama a atenção, assim como a campanha descolada de Eduardo Paes (PSD) ao governo. Como o PSD e PT não estão coligados na eleição nacional, o ex-prefeito não pode usar verbas do fundo eleitoral para bancar materiais em conjunto com Lula, o que tem sido usado para justificar a ausência do presidente em seus santinhos e bandeiras. Enquanto isso, a campanha casada de Flávio Bolsonaro com Douglas Ruas (PL) conta com muito mais volume no estado.
Políticos experientes dizem que esse cenário influencia a cabeça do eleitor. “Para quem não é movido nesta eleição pelo ódio ou pela paixão, a presença nas ruas faz diferença. Porque esses eleitores sentem por essa mobilização qual é a campanha que está mais forte”, comentou do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL), enquanto carregava alguns poucos adesivos de Lula no bolso. Até mesmo Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT e à frente da campanha à reeleição no Rio, falou nas redes do problema da falta de material e de integração com a coordenação geral de Lula.
Influenciadores de esquerda também têm usado as redes para reclamar da falta de atos pró-Lula e de conteúdo digital para repostar. A menos de três semanas do pleito, há uma expectativa de que a coordenação nacional da campanha a presidente trace novas estratégias para a reta final.







