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Oposição aposta em ações que prometem dar dores de cabeça a Lula na Justiça

Adversários apontam propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder em casos que prometem embates às vésperas da eleição

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 fev 2026, 08h00 •
  • Até os auxiliares mais próximos de Lula admitem que o saldo da participação do presidente no Carnaval do Rio de Janeiro foi desastroso sob qualquer ponto de vista. O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao petista não agregou um único ponto à sua popularidade, ampliou fissuras com setores representativos da população, como evangélicos e agronegócio, e ainda forneceu argumentos sólidos para a oposição judicializar a campanha que ainda nem começou. O PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, ingressou com uma ação na Justiça requerendo apuração preliminar de abuso de poder político e econômico. A legenda pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que requisite informações sobre o financiamento do desfile, gastos com passagens e hospedagem dos membros do governo que compareceram à Marquês de Sapucaí e detalhes das visitas dos representantes da escola de samba aos palácios do Planalto e Alvorada. Os dados, no futuro, permitiriam a instauração de um processo que, em caso de uma condenação, pode até resultar na cassação do registro da candidatura ou em cassação de mandato.

    NO CAMAROTE - Janja e Lurian: a primeira-dama se desentendeu com a filha do presidente em área reservada
    NO CAMAROTE - Janja e Lurian: a primeira-dama se desentendeu com a filha do presidente em área reservada (Leo Franco/AgNews/Instagram/Reprodução)

    Poucos acreditam que a situação chegará a esse ponto, mas a oposição aposta no desgaste político ao manter o tema na pauta. Chefe da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, a ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri pretende se reunir com o corregedor-geral da Corte, ministro Antonio Carlos Ferreira, para justificar a necessidade de coleta antecipada de provas. Cabe ao magistrado decidir se autoriza ou não a investigação preliminar. Há precedentes. Em maio de 2022, cinco meses antes das últimas eleições, o ministro Alexandre de Moraes relatou uma ação impetrada pelo PDT contra o então presidente Jair Bolsonaro. O partido acusou o mandatário de usar as motociatas como instrumento de campanha e também para arrecadar recursos que estariam sendo usados para a promoção pessoal do candidato à reeleição. Moraes determinou que uma entidade ligada à igreja Assembleia de Deus Bom Retiro, organizadora do ato que contou com a participação do capitão e de centenas de apoiadores, se explicasse. O caso, segundo a advogada do PL, é “em tudo idêntico” ao Carnaval na Sapucaí. Durante 79 minutos, alas da Acadêmicos de Niterói revezaram passistas que cantaram o trecho do samba inspirado no jingle da campanha petista, fizeram o “L” para as câmeras, destacaram os programas sociais do governo e ironizaram os adversários do presidente.

    O PT e o governo afirmam que não houve nenhuma influência do partido ou de Lula no desfile e que a escola de samba exerceu seu direito de liberdade de expressão artística. Alguns fatos complicam essa tese da autonomia. Os detalhes da apresentação foram discutidos e acertados entre os dirigentes da Acadêmicos e o presidente da República dentro do Palácio da Alvorada. Além disso, Lula ouviu o samba-enredo em primeira mão, sugeriu alteração na letra da música para incluir uma palavra do slogan de sua campanha à reeleição e deu sinal verde para todo o resto — sem contar que Janja, a primeira-dama, visitou o barracão da agremiação, foi aos ensaios usando um jato oficial, elaborou a lista de convidados que incluía mais de uma dezena de ministros, não desfilou como destaque de um carro alegórico porque foi convencida na última hora de que sua participação poderia ser usada contra o marido e ainda se desentendeu no camarote com Lurian Cordeiro, a primogênita do presidente. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo e o estopim teria sido a insistência dela em ficar mais tempo com o pai, contrariando Janja, que tentava controlar o assédio em torno do marido na ocasião.

    DISPAROS - Marinho e as mensagens massivas via WhatsApp: o senador pediu explicações à Receita Federal
    DISPAROS - Marinho e as mensagens massivas via WhatsApp: o senador pediu explicações à Receita Federal (Carlos Moura/Ag. Senado)
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    O embate jurídico pré-eleitoral com a oposição vai ganhar um ingrediente a mais. Lula, como se sabe, pretende usar como bandeira de campanha o projeto que isentou do pagamento de imposto de renda quem ganha até 5 000 reais. Calcula-se que 10 milhões de pessoas foram beneficiadas com a medida. Nos últimos dias, os contribuintes que se encaixam na nova faixa de isenção começaram a receber, via aplicativo de mensagem, uma “informação importante”: “A partir deste mês você não paga mais imposto de renda”. E, na sequência, um esclarecimento: “Para compensar e garantir que não faltará (sic) recursos para a saúde, segurança e educação, quem ganha mais de R$ 600 mil por ano e pagava menos imposto vai contribuir”. Para o senador Rogério Marinho (PL-­RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, as mensagens podem configurar outro crime eleitoral. O parlamentar enviou ofício à Receita pedindo explicações sobre o que considera um desvio de finalidade do órgão e, talvez mais grave ainda, com a utilização de dados protegidos por sigilo fiscal. Os disparos foram realizados por meio de uma conta de WhatsApp aberta pelo governo em janeiro. O Fisco diz que a iniciativa busca apenas “levar informações públicas de forma direta aos cidadãos”. A oposição vai seguir questionando o negócio, na tentativa de fazer um carnaval com essa história.

    Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984

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