O temor de Davi Alcolumbre nos inquéritos do INSS e do Master
Aliados do parlamentar estão na mira das duas investigações relatadas pelo ministro André Mendonça, com quem o senador comprou briga no passado
De conhecida proximidade com o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, setores da classe política acompanham com apreensão a ascensão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ao posto de coordenador de duas investigações que podem influenciar os rumos das eleições de outubro: o bilionário escândalo do INSS e o cerco contra as traficâncias do Master. Mas poucos políticos têm tantos motivos para se preocupar quanto o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cujos aliados aparecem nas duas apurações.
No primeiro caso, a CPI mista que investiga o esquema de corrupção identificou repasses de 3 milhões de reais do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, para um ex-assessor do senador, investiga o Master por vender carteiras de crédito consignado a aposentados e suspeita que o sigilo imposto por Alcolumbre às entradas do lobista no Congresso tenha como objetivo blindá-lo de vínculos com o personagem central da fraude contra pensionistas.
Na sexta-feira, 20, Mendonça tirou do senador seu principal trunfo no caso Master e determinou que a Polícia Federal envie à comissão de inquérito dados como o acervo contido no telefone celular de Vorcaro e informações recolhidas das quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático do banqueiro.
Até dias atrás pilotado por um homem de confiança do parlamentar, o fundo de previdência de servidores do Amapá (Amaprev), por sua vez, investiu 400 milhões de reais em papeis podres do banco no período em que o presidente da caixa de previdência era Jocildo Lemos, ex-tesoureiro da campanha de Alcolumbre e indicado por ele ao cargo. Lemos, que já havia sido preso em outra operação acusado de traficar influência no estado, renunciou após ser alvo de buscas.
Conforme mostrou VEJA, o presidente do Senado tem diferentes apadrinhados em quadros estratégicos, incluindo Alberto Alcolumbre, seu irmão, no Amaprev, e já tentou por duas vezes e sem sucesso emplacar outro irmão, Josiel Alcolumbre, na política local.
Notório pela capacidade de sobreviver a escândalos políticos – desde o esquema de rachadinha em seu próprio gabinete, revelado por VEJA em 2019, até apurações sobre desvios milionários de emendas parlamentares a cargo da Operação Overclean – Alcolumbre tem uma relação conflituosa com o ministro André Mendonça, a quem cabe, entre outras coisas, acessar a lista de políticos com vínculos com o ex-dono do Master, analisar eventuais crimes de políticos em parceria com o empresário e escrutinar todas as provas que Polícia Federal, Ministério Público e Banco Central reuniram contra a instituição financeira, seus dirigentes e cúmplices.
Quando foi indicado ao STF em 2021, o ministro teve de aguardar quatro meses antes de ter o nome confirmado porque o senador, que comandava a comissão onde a sabatina ocorreria, trabalhava abertamente para emplacar no cargo o nome do então procurador Augusto Aras, tido como benevolente com o mundo político.
Na época, o ministro tinha a convicção de que sua cabeça havia sido colocada a prêmio como forma de pressão porque Alcolumbre também tinha planos de ser nomeado ministro do governo Bolsonaro ou líder da situação no Congresso, o que nunca se consolidou. A interlocutores, Mendonça diz hoje não guardar ressentimentos dos episódios do passado. Se isso vai ser suficiente para amainar as preocupações do senador, só o tempo será capaz de dizer.





