O risco que a guerra de decisões entre Dino e Mendonça traz ao STF
De um lado, o ministro relator do caso Dark Horse; do outro, o responsável pelo Master e INSS
A decisão do ministro Flávio Dino nesta quarta-feira, 9, de determinar a volta do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, um dia após seu colega André Mendonça tê-lo afastado, expõe uma briga política dentro do Supremo Tribunal Federal, em plena campanha eleitoral. O atropelo do ex-governador do Maranhão sob o argumento de que as investigações do caso Dark Horse estavam sendo prejudicadas com a decisão de afastar Andrei soou mal, principalmente, porque passou por cima de uma outra medida que já havia sido imposta pelo presidente da Suprema Corte. Edson Fachin tinha deliberado sobre o pedido da AGU – para levar o caso ao plenário – pedindo explicações a Mendonça dentro de um prazo de três dias.
Nessa queda de braço não tem vencedor. A briga enfraquece de forma aguda o STF, a instituição, e um dos pilares da democracia. Põe em xeque, perante a opinião pública, a isenção necessária e imprescindível para um ministro da Suprema Corte.
Aos olhos da sociedade, o fla-flu da política migrou para o judiciário. O debate ficou contaminado pela mesma polarização da disputa à presidência: Lula ou Flávio Bolsonaro. Mendonça (vale lembrar, indicado por Bolsonaro) seria o ministro da oposição, relator dos inquéritos do Banco Master, que revela ligação obscura entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, e da CPI do INSS, que tem como um dos alvos Lulinha, filho do presidente.
Dino (nomeado por Lula) se encaixaria como o defensor do governo, à medida que decide pela volta de Andrei à PF, e também relata o caso Dark Horse, envolvendo o uso suspeito de emendas parlamentares para financiar o filme sobre o ex-presidente Bolsonaro.





