O revés do aliado de Lula que mira o mandato-tampão no Rio
Com votação aberta e necessidade de indicação pelos partidos, André Ceciliano terá mais dificuldade para se cacifar na eleição indireta ao Palácio Guanabara
Os planos políticos de curto prazo do deputado estadual André Ceciliano (PT), secretário de Assuntos Parlamentares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sofreram um revés nesta quarta-feira, 11, na Assembleia Legislativa do Rio.
O petista vem tentando se cacifar para a eleição indireta que vai acontecer quando o governador Cláudio Castro (PL) deixar o Palácio Guanabara antecipadamente para disputar uma vaga no Senado.
Ceciliano ensaiava um voo solo, em meio a candidaturas que o PL, dono da maior bancada na Alerj, estuda lançar para a sucessão do governador. O deputado tem bom trânsito com parlamentares do Centrão. As relações foram estreitadas quando foi presidente da Assembleia Legislativa, entre 2017 e 2023, com amplo apoio dos colegas.
O petista também é próximo de Rodrigo Bacellar (União Brasil), que está licenciado da presidência da Alerj desde que foi alvo de uma operação da Polícia Federal, mas mantém aliados fieis na Casa Legislativa e poderia ser um padrinho importante, mesmo em prisão domiciliar.
Ocorre que a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj aprovou hoje as regras da eleição-tampão – o projeto ainda precisa ser aprovado no plenário. Ficou definido que o voto será nominal e aberto, o que na prática inibe dissidências que poderiam beneficiar Ceciliano. Com isso, ficará mais custoso para os deputados da base do governo “trair” o candidato do PL.
Além disso, a CCJ decidiu que os candidatos devem ser indicados pelos partidos. Isso significa que o PT no Rio precisará dar aval para Ceciliano entrar de fato na disputa. O problema para o petista é que ele enfrenta resistências dos correligionários. O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, por exemplo, já sinalizou que é contra a ideia.
Ceciliano admitiu que tem conversado com colegas “de diferentes matizes ideológicas” sobre a possibilidade de disputar a eleição indireta, mas garantiu que o projeto só será levado adiante se houver apoio de Lula e puder contribuir para a reeleição do presidente.
A movimentação do deputado desagradou o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo com o apoio de Lula. Os dois trocaram farpas publicamente depois que o prefeito oficializou a candidatura.





