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O que se sabe até agora sobre a investigação de desvio de cota parlamentar

Em sete anos, assessores de Sóstenes e Jordy movimentaram quase R$ 30 milhões

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 dez 2025, 09h49 • Atualizado em 20 dez 2025, 09h52
  • A Polícia Federal investiga um esquema suspeito de desvio da cota parlamentar que movimentou aproximadamente R$ 30 milhões por meio de assessores dos deputados Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Segundo a PF, as movimentações financeiras ocorreram entre maio de 2018 e dezembro de 2024, com volumes considerados incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos envolvidos.

    A principal hipótese é de que uma locadora de veículos (Harue Locação) teria funcionado como empresa de fachada, permitindo que os parlamentares desviassem recursos públicos ao alugar carros de uma empresa que, na prática, lhes pertencia – prática vedada pela Câmara. A empresa está no nome de uma mulher que recebeu R$ 4.500 de auxílio emergencial nos últimos anos, mas pertenceria, segundo a investigação, a um assessor de Jordy e gerenciada por seus familiares. A principal suspeita da PF é que os deputados faziam pagamentos para a Harue e depois pediam reembolso da cota parlamentar.

    Durante as buscas, foram apreendidos R$ 430 mil em espécie no apartamento de Sóstenes, valor 87 vezes maior do que o declarado por ele à Justiça Eleitoral em 2022. As investigações também apontam para a utilização de métodos típicos de ocultação de recursos. Há provas da prática de “smurfing”, com saques e depósitos sistematicamente fracionados em valores inferiores a R$ 10 mil para fugir dos alertas do sistema financeiro. Além disso, a quebra dos sigilos telefônicos dos dois deputados, autorizada para o período entre 2018 e 2024, revelou conversas e mensagens no WhatsApp em que assessores e os próprios parlamentares tratam abertamente de pagamentos “por fora”.

    Os parlamentares se defenderam publicamente. Jordy afirmou ser vítima de “perseguição implacável” e de uma “ditadura do Judiciário”, argumentando que não é obrigação do deputado fiscalizar a estrutura das empresas contratadas. Sóstenes, por sua vez, disse que seu assessor (um dos investigados) é motorista e tem uma distribuidora de bebidas, o que justificaria as movimentações. No entanto, não explicou as transações milionárias dos demais envolvidos citados pelo ministro do STF, Flávio Dino, na decisão que autorizou a operação.

    A investigação, que ainda não atingiu os gabinetes dos deputados, segue em andamento com base na quebra de sigilos bancários e telefônicos determinada pelo STF. Até o momento, as alegações dos investigados não conseguiram esclarecer, perante à Justiça, a origem e licitude dos R$ 30 milhões rastreados pela PF, que continua apurando os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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