O fator que pode explodir o plano de Bolsonaro para ‘vingança’ contra o STF no Senado
Para cientista político, mesmo com avanço da direita nas urnas, Congresso tende a priorizar agenda econômica e evitar confronto institucional
A estratégia do ex-presidente Jair Bolsonaro de eleger uma bancada robusta no Senado com o objetivo de abrir caminho para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal enfrenta obstáculos políticos relevantes — mesmo em um cenário de avanço da direita nas urnas. A avaliação é do cientista político Adriano Cerqueira, em entrevista ao Ponto de Vista (este texto é um resumo do vídeo acima).
No programa, a editora Laryssa Borges informou que, antes de ser preso, Bolsonaro negociou com o PL o poder de indicar candidatos ao Senado em diversos estados. A meta declarada era formar uma maioria capaz de confrontar o STF, especialmente após o julgamento da trama golpista. Para Cerqueira, no entanto, transformar esse plano em ação concreta está longe de ser automático.
Direita avança, mas limites permanecem
O cientista político reconhece que o ambiente eleitoral é favorável aos partidos de centro-direita e direita. “Desde 2014, as legislaturas têm mostrado um perfil cada vez mais deslocado à direita, e as eleições municipais confirmaram essa tendência”, afirmou. Esse movimento, segundo ele, incentiva lideranças partidárias a disputar esse eleitorado com plataformas mais conservadoras.
Ainda assim, Cerqueira pondera que maioria numérica não garante disposição política para um confronto direto com o Judiciário. “Mesmo que haja uma bancada expressiva no Senado, não é evidente que exista mobilização e motivação suficientes para levar adiante um impeachment”, disse.
Dosimetria como fator de esfriamento
Na leitura do analista, a eventual consolidação do projeto que revisa a dosimetria das penas do 8 de Janeiro tende a reduzir o ímpeto por embates institucionais. “Se houver um relaxamento dessas prisões, vistas por muitos como exageradas, não sei se haverá disposição no Congresso para avançar em pautas de confronto”, avaliou.
Para Cerqueira, temas estritamente políticos perdem força quando a tensão institucional diminui. “A pacificação passa também por tirar combustível dessas disputas”, resumiu.
O que poderia motivar um impeachment
O cientista político avalia que eventuais pedidos de impeachment contra ministros do STF dependeriam menos de agendas ideológicas e mais de fatos concretos ligados à moralidade pública. “Casos com repercussão ética grave, escândalos amplamente reconhecidos, esses sim poderiam gerar algum tipo de mobilização”, afirmou.
Sem esse tipo de gatilho, a tendência, segundo ele, é de contenção. “Não vejo hoje um apelo suficientemente forte no Senado apenas por razões políticas”, disse.
Senado renovado, postura mais moderada
Mesmo num cenário em que Flávio Bolsonaro venha a ocupar papel central no campo conservador, Cerqueira aposta em uma postura menos beligerante. “Flávio tem um perfil mais moderado e boa interlocução com o centro político”, observou, contrastando com o estilo mais combativo de outras lideranças bolsonaristas.
A expectativa, segundo ele, é que uma eventual maioria conservadora busque virar a página dos conflitos recentes. “A tendência é tentar superar esse processo e construir uma agenda mais conservadora, especialmente na economia, nos próximos anos”, avaliou.
Confronto fica em segundo plano
Para Cerqueira, mesmo com chances reais de vitória da oposição na disputa presidencial — seja com nomes mais ao centro ou ligados ao bolsonarismo — o Congresso renovado dificilmente terá como prioridade revisitar embates do passado. “Não acredito numa agenda voltada ao confronto institucional. O movimento deve ser outro, mais pragmático”, concluiu.
Na leitura do cientista político, o plano de revanche contra o Supremo esbarra menos na matemática eleitoral e mais na disposição política de um Congresso que tende a privilegiar estabilidade e agenda econômica em vez de conflito aberto.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





