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O que João Campos diz sobre caso que levou a pedidos de impeachment e CPI

Prefeito do Recife e presidente nacional do PSB se envolveu em polêmica sobre nomeação de cargo público

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jan 2026, 12h10 • Atualizado em 9 jan 2026, 14h13
  • O prefeito do Recife e presidente nacional do PSB — um dos principais partidos da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, João Campos, se pronunciou sobre a polêmica que o relaciona à nomeação apontada como irregular para um cargo público, afirmando que tudo não passou de coincidência e de oportunismo eleitoral. O caso levou a vereadores protocolarem um pedido de impeachment e a tentarem abrir um CPI para investigá-lo.

    Segundo Campos, não houve favorecimento irregular de nenhum candidato, mas apenas uma “disputa administrativa” entre duas pessoas que poderiam ocupar a vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD). Além disso, Campos afirmou que a causa PCD move a sua vida e citou um irmão que vive com Síndrome de Down. “Você querer usar uma pauta de PCD para fazer trampolim político ou oportunismo eleitoral em torno disso é inadmissível”, disse.

    Segundo o prefeito do Recife, a disputa se deu entre duas pessoas PCD. Além disso, ele lembrou que nomeou muitas outras pessoas para uma série de outros cargos de maneira protocolar e disse que não poderia ficar se aprofundando caso a caso.

    Polêmica sobre nomeação irregular

    Tanto o pedido de impeachment quanto a tentativa de investigação por uma CPI tratam da nomeação irregular de Lucas Vieira da Silva para o cargo de procurador do município em uma vaga reservada a Pessoas com Deficiência (PCD), sendo que ele ficou na 63ª posição e, quando fez a prova do concurso, não possuía laudo de PCD e não concorreu às vagas afirmativas, mas apenas as de livre concorrência.

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    A nomeação, assinada por Campos, estava em desacordo com o edital do concurso e gerava prejuízo a outro candidato, que tinha direito à vaga por já apresentar laudo de PCD quando fez a prova, e foi publicada no Diário Oficial do Município em 23 de dezembro de 2025. A nomeação ocorreu após um pedido de reclassificação de Lucas feito mais de três anos após o concurso, realizado em 2022 e homologado em junho de 2023.

    Em 29 de maio de 2025, Lucas Vieira solicitou a reclassificação para concorrer como PCD, pedido que foi negado por três procuradoras concursadas do município em decisões técnicas sucessivas. Mesmo assim, quando o caso foi encaminhado ao procurador-geral do município, Pedro Pontes, cargo comissionado indicado pelo prefeito João Campos, a situação foi revertida.

    Após repercussão negativa do caso e pressão popular, a gestão municipal decidiu revogar a nomeação. “Quando o prefeito descumpre o edital, ele pratica um ato contra a expressa disposição legal”, enfatizou o vereador Eduardo Moura, que protocolou o pedido de impeachment. Para ele, o caso ainda infringiu dispositivos da Lei Orgânica do Município, da Lei de Improbidade Administrativa, do Decreto-Lei 201, e até do Código Penal. “Os atos atentam contra a probidade administrativa e contra o cumprimento das leis, o que configura crime de responsabilidade”, justificou.

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    Eduardo Moura também alertou para a suspeita de possível favorecimento do candidato, uma vez que Lucas Vieira é filho de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado e de um juiz que atua na vara de crimes contra a administração pública da capital, e que, em novembro de 2025, um mês antes da nomeação de Lucas, anulou os atos da Operação Barriga de Aluguel, que investigava a gestão de João Campos por possível desvio de verbas no valor de 500 milhões de reais.

    Bem aprovado e favorito ao governo

    João Campos é o quinto prefeito de capital com maior aprovação do país, com 64% em um ranking divulgado em dezembro pelo instituto AtlasIntel, e é apontado como um dos principais nomes para uma futura e eventual renovação do campo da esquerda no Brasil.

    Além disso, segundo o instituto Paraná Pesquisas, ele é, hoje, o favorito na eleição para o governo de Pernambuco em 2026. De acordo com o levantamento divulgado no final de dezembro, em um eventual primeiro turno, ele teria 53,1% das intenções de voto contra 31,0% da atual governadora, Raquel Lyra (PSD).

    Fontes próximas a João Campos disseram acreditar que nem o pedido de impeachment, nem a CPI conseguirão as assinaturas necessárias para prosperar na Câmara de Vereadores.

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