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O que Castro pretende dizer a Flávio Bolsonaro em conversa depois do Carnaval

Números do governo e planejamento para o segundo semestre serão citados pelo governador em primogênito de Jair Bolsonaro

Por Gabriel Sabóia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 14h30 • Atualizado em 10 fev 2026, 14h55
  • Passado o Carnaval, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), se reunirá com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para debater a sucessão ao Palácio Guanabara. No encontro entre os dois, Castro defenderá que o atual secretário da Casa Civil do governo, Nicola Miccione, cumpra um mandato-tampão, a partir de abril, eleito indiretamente pela Alerj, e que outro nome do partido de Jair Bolsonaro seja o candidato que deve enfrentar o prefeito da capital, Eduardo Paes, nas urnas.

    Flávio, inicialmente, é contrário à ideia e defende que o nome que exercerá o mandato-tampão deve ser o representante do grupo político em outubro. Mas Castro já tem uma série de argumentos para convencê-lo a seguir seus planos.

    Castro deve dizer que o caminho do ocupante do mandato temporário não será fácil, em função dos números da dívida pública do estado e dos cortes que serão necessários. Por isso, precisa de alguém que conheça a máquina estadual por dentro. Com 19 bilhões de reais em déficit, o Rio precisará enxugar os gastos até o fim do ano, para evitar o maior pesadelo no horizonte do governador: o atraso de salários de servidores, o que seria danoso para os planos eleitorais de todo o grupo político nestas eleições (inclusive para a campanha de Flávio à Presidência).

    Para isso, uma série de cortes precisará ser feita, com o objetivo de reduzir o déficit para algo em torno de 4 bilhões de reais – valor considerado “administrável”.

    A revisão do contrato da Naturgy Energia, além da renegociação da dívida pública, por meio do Propag, são tidas como possíveis para o segundo semestre, a fim de equilibrar as contas. Mas além disso, é possível que o estado repense o calendário de inaugurações de obras consideradas “pouco essenciais” e que vão gerar custos.

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    Aos aliados, Castro reforça o argumento que deve ser apresentado a Flávio: “Quem fizer cortes terá dificuldades de conseguir votos”. Por isso, para o governador, Nicola Miccione reuniria a expertise necessária, além de não depender do desempenho nas urnas, o que o permitiria defender os números do governo, em caso de crise e de ataques oriundos da campanha de Paes.

    Castro pretende deixar a cadeira de governador em abril, para se candidatar ao Senado. Seu vice, Thiago Pampolha, foi nomeado conselheiro do TCE-RJ, o que colocou o presidente da Alerj como o primeiro nome da sucessão estadual. Acontece que o comandante da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União), foi preso no ano passado e, apesar de solto, está afastado da cadeira por decisão judicial. Dessa forma, o estado ficou sem linha de sucessão direta, o que abre caminho para uma eleição indireta, feita pela Alerj.

    Em paralelo à defesa do nome de Nicola para o mandato-tampão, uma corrente do PL defende que o deputado estadual Douglas Ruas (PL) ocupe o governo temporariamente e que ele siga na disputa das urnas, em outubro.

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