O pronunciamento do apresentador Ratinho sobre polêmica com Erika Hilton
Comunicador foi acusado de transfobia ao criticar eleição da deputada para presidir Comissão da Mulher da Câmara; ele negou a identidade de gênero dela
O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, se pronunciou sobre a polêmica em que ele se envolveu na semana passada, ao criticar a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão da Mulher da Câmara com declarações transfóbicas. O comunicador afirmou que é sincero e que acredita que isso incomoda, mas que não vai mudar para “agradar quem quer que seja”.
“Fui envolvido em um verdadeiro furacão depois de dar uma opinião aqui no programa. Centenas de pessoas fizeram comentários nas redes sociais ou em publicações, falando sobre esse fato. Então, eu quero agradecer a todos que me apoiaram. Eu nem tive como acompanhar todas as mensagens, porque são milhões de mensagens, ou milhares de mensagens, quase todas unânimes nos comentários favoráveis [a minha opinião]. Muita gente, mas muita gente mesmo, concordou comigo. Todos os defeitos que eu tenho, e eu tenho muitos, mas o que mais incomoda as pessoas é a minha sinceridade. Desde que eu comecei [a trabalhar] em televisão, e, olha, eu não sou garoto de internet, quando eu comecei na TV e no rádio, não tinha internet. [Esse] É o meu jeito direto e reto de falar as coisas e, nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração, que, no meu tempo não tinha. Então, quem gosta de mim vai continuar gostando, quem não gosta vai continuar não gostando. Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar quem quer que seja. Fica o recado. Vamos continuar com o nosso programa. E vamos continuar com a nossa opinião. Eu não vou mudar!“, declarou o apresentador no programa da noite desta segunda-feira, 16, exibido ao vivo no SBT.
A opinião de que Ratinho fala foi expressada por ele no programa da quarta-feira, 11, depois que Erika Hilton foi eleita para presidir a Comissão da Mulher na Câmara. Ao comentar o caso ele negou que ela seja uma mulher por ser uma pessoas trans. “Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata [por] três, quatro dias. Eu sou contra [a eleição dela para presidir esta comissão]. Eu acho que deveria deixar uma mulher [ocupar este espaço]”, disse o apresentador na ocasião.
Ratinho ainda disse que não tem “nada contra [pessoas] trans”, mas seguiu com seu posicionamento para invalidar a identidade de gênero da parlamentar e de outras mulheres trans. “Mulher, para ser mulher, tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, comentou.
Em outro momento, Ratinho misturou até as palavras femininas e masculinas para se referir à deputada Erika Hilton: “Quero dizer que não tenho nada contra a deputada, ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher [para ocupar a presidência da comissão]”, finalizou ele.
Em nota à imprensa, o SBT disse que “repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito” e que práticas como essa contrariam os valores da emissora. “As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, diz o texto.
Em resposta ao ocorrido, a deputada Erika Hilton acionou o Ministério Público contra Ratinho e o SBT. E a instituição logo se posicionou, defendendo a condenação judicial dos dois, com o pagamento de uma multa de 10 milhões de reais por indenização e danos morais coletivos (entenda aqui o posicionamento do MPF).
Desde 2019, transfobia é crime no Brasil, já que o STF (Supremo Tribunal Federal) equiparou a transfobia e a homofobia ao crime de racismo. A decisão faz com que condutas discriminatórias, ofensas, agressões físicas ou a negação de direitos baseados na identidade de gênero ou sexualidade sejam considerados crimes que devem ser punidos com penas que variam de multa a até três anos de reclusão.





