O papel de deputada no esquema de crimes contra aposentados do INSS
Investigação avança sobre núcleo político do esquema
A nova ofensiva da Polícia Federal contra fraudes no INSS atingiu mais uma parte do núcleo político do esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias (este texto é um resumo do vídeo acima).
Deflagrada nesta terça, 17, a Operação Indébito — desdobramento da investigação conhecida como Sem Desconto — cumpre mandados de busca e prisão e tem como um dos alvos a deputada federal Gorete Pereira, do MDB.
Por decisão do ministro André Mendonça, a parlamentar não foi presa, mas terá de usar tornozeleira eletrônica. A medida foi tomada apesar do pedido de prisão preventiva feito pela Procuradoria-Geral da República.
Como funcionava o esquema contra aposentados?
Segundo as investigações, o grupo atuava por meio de descontos associativos não autorizados aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Na prática, valores pequenos — entre 45 e 60 reais — eram debitados mensalmente sem consentimento, simulando filiação a entidades.
O problema: o modelo operava em larga escala.
“Era um desvio em escala industrial”, afirmou o colunista Robson Bonin, de Radar.
De acordo com a Polícia Federal, mais de 5 milhões de beneficiários podem ter sido atingidos no grande esquema do INSS, com prejuízo estimado superior a 6 bilhões de reais entre 2020 e 2025.
Qual seria o papel da deputada no esquema?
As investigações apontam que Gorete teria atuado como elo político do grupo criminoso.
Segundo Bonin, a parlamentar teria recebido propina para dar sustentação institucional ao esquema.
“Ela funcionava como um braço político desse grupo”, disse.
A atuação envolveria a articulação com entidades que operavam os descontos e com operadores financeiros responsáveis pelo desvio.
Por que ela não foi presa?
Apesar da gravidade das acusações, o ministro Mendonça optou por uma medida cautelar mais branda.
A decisão de impor tornozeleira eletrônica, em vez de prisão, levou em conta o impacto institucional de uma medida mais dura contra uma parlamentar em exercício.
Bonin criticou o padrão observado em casos semelhantes.
“O crime costuma compensar para quem tem mandato parlamentar no país”, afirmou.
A investigação chegou ao núcleo político?
Para os investigadores, o avanço sobre agentes públicos era esperado diante da dimensão do esquema.
“Ninguém rouba tanto dinheiro de aposentados sem que políticos tenham permitido que isso acontecesse”, disse Bonin.
A nova fase da operação indica que a Polícia Federal busca consolidar provas do envolvimento de autoridades no caso.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





