O número que prejudica Flávio e incomoda Lula na nova pesquisa AtlasIntel
Tanto um quanto o outro partem de um piso alto — mas enfrentam tetos baixos
A mais recente pesquisa da AtlasIntel mexe com o tabuleiro eleitoral de 2026. Pela primeira vez desde que começou a ser medido, o senador Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário de segundo turno — ainda que dentro da margem de erro. Um dado, no entanto, dificulta a trajetória dos dois candidatos: a alta rejeição (este texto é um resumo do vídeo acima).
No primeiro turno, Lula mantém a dianteira: 45% contra 38% de Flávio. Mas o dado politicamente mais relevante está na aproximação no confronto direto.
Para explicar o movimento, o Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, ouviu o analista político da AtlasIntel, Breno Oliveira, com comentários do colunista Mauro Paulino.
Por que Flávio cresce no segundo turno?
Segundo Breno Oliveira, dois fatores ajudam a explicar o avanço.
O primeiro é a transferência de capital político do pai, Jair Bolsonaro. À medida que Flávio se consolidou como nome oficial do bolsonarismo, herdou parte significativa do eleitorado fiel da direita.
“Ele cresce muito rápido tanto no primeiro quanto no segundo turno”, afirmou o analista.
O segundo fator é a piora — ainda que marginal — na avaliação do governo Lula. O levantamento registrou queda de cinco pontos percentuais nas avaliações “ótimo” e “bom”.
Lula está próximo do teto?
Para Breno, tanto Lula quanto Flávio partem de um piso alto — mas enfrentam tetos baixos.
Ambos lideram os índices de rejeição na pesquisa. Isso significa que o espaço para crescimento é limitado. Lula dificilmente ultrapassaria muito além de 50% dos votos válidos; Flávio enfrenta barreira semelhante.
A polarização, portanto, é um ativo e uma prisão ao mesmo tempo.
Tarcísio está melhor posicionado que Flávio?
O levantamento também testou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, contra Lula.
Nesse cenário, Tarcísio aparece com vantagem estatisticamente significativa: 47,1% contra 45,9% do presidente. A diferença supera a margem de erro de 1%.
Para Breno, o governador atinge um eleitorado mais amplo do que Flávio, por não carregar o mesmo nível de rejeição associado ao clã Bolsonaro.
A terceira via perdeu espaço?
Os números mostram dificuldades crescentes para candidaturas alternativas. Nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem com percentuais residuais.
À medida que o eleitorado de direita migra para Flávio, o espaço para uma candidatura de centro-direita não bolsonarista encolhe. O alto piso de Lula e do representante do bolsonarismo tende a sufocar terceiros nomes.
O que explica a queda na avaliação do governo?
A perda de cinco pontos na aprovação de Lula não se converteu diretamente em reprovação. Esses eleitores migraram majoritariamente para a avaliação “regular”.
Trata-se, segundo Breno, de uma erosão de entusiasmo dentro da própria base governista.
Ele atribui parte do desgaste ao episódio do Carnaval, quando Lula foi homenageado em desfile que gerou polêmica e críticas nas redes sociais.
O medo divide o país ao meio?
Quando a pesquisa pergunta qual cenário causa mais preocupação — a reeleição de Lula ou a eleição de Flávio — os números praticamente se equivalem: 47,5% temem a permanência do petista; 44,9% temem a volta da família Bolsonaro ao poder.
Para Mauro Paulino, o dado é emblemático.
“O Brasil se divide praticamente ao meio quando é forçado a escolher entre uma coisa e outra”, afirmou.
A polarização não apenas persiste — ela estrutura o campo eleitoral.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





