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O malabarismo da oposição sobre Eduardo Bolsonaro após reunião Lula-Trump

Vice-líder do PL na Câmara diz que reunião entre Lula e Trump “mostra pragmatismo”, mas isenta bolsonaristas de responsabilidade pelas tarifas americanas

Por Marcela Rahal Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 out 2025, 15h16 • Atualizado em 27 out 2025, 15h16
  • A aguardada reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump continua repercutindo em Brasília. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da VEJA, o deputado federal Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição na Câmara, classificou o encontro como “positivo” e negou que a oposição, em especial Eduardo Bolsonaro, tenha qualquer envolvimento com as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

    “O deputado Eduardo Bolsonaro não teve responsabilidade alguma nas tarifações. Isso está provado. O próprio presidente Trump afirmou que as medidas foram tomadas para proteger o mercado norte-americano, e não por razões políticas”, declarou Sanderson.

    A reunião e o reposicionamento político

    O deputado destacou que, apesar de o encontro ainda não ter resultado em um acordo concreto, o simples fato de Lula e Trump terem conversado “mostra um movimento pragmático” entre os dois países. “Nós, parlamentares da oposição, sempre defendemos o diálogo e buscamos com muito foco a derrubada dessas tarifações, que prejudicam o agronegócio e a indústria brasileira”, afirmou.

    Sanderson observou que a diplomacia brasileira vive um “momento de redefinição” e que a abertura de canais com o governo norte-americano é benéfica para o país. “Independentemente de quem está no poder, o Brasil precisa ter relações comerciais sólidas, sobretudo com os Estados Unidos, que são nosso principal parceiro estratégico fora da América do Sul”, disse.

    Argentina, Milei e o novo ambiente regional

    Durante a entrevista, o parlamentar também comentou a vitória da direita nas eleições legislativas argentinas, que ampliou o domínio do partido de Javier Milei. “Foi uma vitória avassaladora, o dobro de votos do que previam as pesquisas. Isso muda o panorama político da região e influencia diretamente o Brasil”, avaliou.

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    Para Sanderson, o avanço de governos liberais na América do Sul representa um freio ao populismo e serve de alerta ao Palácio do Planalto. “A Argentina deu um recado claro: os povos da região estão cansados do fracasso econômico, da inflação e do excesso de Estado. O Brasil precisa aprender com isso”, afirmou.

    Eduardo Bolsonaro e o desgaste político

    Questionado sobre as críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro, Sanderson saiu em defesa do colega de partido. Segundo ele, a tentativa de associar o parlamentar ao tarifaço americano faz parte de “uma narrativa política que não se sustenta”.

    “O Eduardo foi o deputado mais votado da história do Brasil e segue sendo alvo de ataques por ter um sobrenome que incomoda a esquerda. Mas os fatos estão aí — ele não articulou tarifas nem prejudicou o país”, afirmou o vice-líder do PL.

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    O tom da oposição

    Encerrando a entrevista, Sanderson reforçou que a oposição continuará “vigilante, mas responsável” na condução dos debates econômicos. “O Brasil precisa crescer, gerar empregos e recuperar o protagonismo perdido. Nosso papel é fiscalizar o governo e apoiar medidas que sejam boas para o país, independentemente da autoria”, disse.

    Na avaliação do deputado, a reunião entre Lula e Trump abre um novo ciclo diplomático — e a oposição pretende acompanhar de perto seus resultados. “Se o encontro trouxer benefícios concretos ao Brasil, todos ganham. Mas não aceitaremos distorções históricas para atacar quem sempre defendeu o interesse nacional”, concluiu.

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