O efeito dominó em escândalo de corrupção na Paraíba
Delator provoca a prisão de ex-governador e lança suspeitas sobre a lisura do sucessor dele ao revelar desvios milionários de verbas da saúde e da educação
Na república dos grampos, o escândalo recente na Paraíba cravou um novo recorde, com nada menos que oito anos de registros de conversas nem um pouco republicanas entre o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e o empresário Daniel Gomes da Silva. Ocorridos de 2010 a 2018, os diálogos foram gravados clandestinamente por Silva e terminaram nas mãos do Ministério Público após o empresário firmar um acordo de delação premiada. Segundo os investigadores, os áudios mostram que Coutinho desviou pelo menos 134,2 milhões de reais destinados às áreas da saúde e da educação do estado. O ex-governador foi preso preventivamente no âmbito da Operação Calvário, mas já está em casa graças a uma decisão de Napoleão Nunes Maia Filho, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Nos áudios que vieram a público, Silva trata com Coutinho sobre o pagamento de uma propina referente a 10% do valor de um contrato. Há também pedidos do ex-governador para obter ingressos de shows. Em outra delação, a ex-procuradora-geral do estado Livânia Farias, que atuou como secretária de Coutinho, diz ter entregado ao político mais de 4 milhões de reais. O escândalo ainda levantou suspeitas sobre o atual governador, João Azevêdo (sem partido), alvo de mandados de busca e apreensão. Aos investigadores, Silva disse que o mandatário não só se beneficiou dos desvios para abastecer sua campanha como solicitou que o esquema fosse expandido em sua chegada ao Executivo. Azevêdo e Coutinho negam as acusações. Considerando-se o volume e o conteúdo das gravações, vai ser difícil provar a inocência deles.
Publicado em VEJA de 1º de janeiro de 2020, edição nº 2667
Psol aciona Nikolas na PGR após bolsonarista sugerir sequestro de Lula
Captura de Maduro: ministro da Defesa da Venezuela afirma que EUA mataram seguranças
Maduro buscou rota de fuga no Leste Europeu; Rússia e China recalculam apoio após ação dos EUA
Trump afirma que vice de Maduro coopera, mas número dois do chavismo exige libertação do presidente
Venezuela ordena prisão de ‘todos’ os americanos envolvidos em captura de Maduro







