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O efeito dominó em escândalo de corrupção na Paraíba

Delator provoca a prisão de ex-governador e lança suspeitas sobre a lisura do sucessor dele ao revelar desvios milionários de verbas da saúde e da educação

Por Edoardo Ghirotto Atualizado em 27 dez 2019, 10h14 - Publicado em 27 dez 2019, 06h00

Na república dos grampos, o escândalo recente na Paraíba cravou um novo recorde, com nada menos que oito anos de registros de conversas nem um pouco republicanas entre o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e o empresário Daniel Gomes da Silva. Ocorridos de 2010 a 2018, os diálogos foram gravados clandestinamente por Silva e terminaram nas mãos do Ministério Público após o empresário firmar um acordo de delação premiada. Segundo os investigadores, os áudios mostram que Coutinho desviou pelo menos 134,2 milhões de reais destinados às áreas da saúde e da educação do estado. O ex-governador foi preso preventivamente no âmbito da Operação Calvário, mas já está em casa graças a uma decisão de Napoleão Nunes Maia Filho, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Nos áudios que vieram a público, Silva trata com Coutinho sobre o pagamento de uma propina referente a 10% do valor de um contrato. Há também pedidos do ex-governador para obter ingressos de shows. Em outra delação, a ex-procuradora-geral do estado Livânia Farias, que atuou como secretária de Coutinho, diz ter entregado ao político mais de 4 milhões de reais. O escândalo ainda levantou suspeitas sobre o atual governador, João Azevêdo (sem partido), alvo de mandados de busca e apreensão. Aos investigadores, Silva disse que o mandatário não só se beneficiou dos desvios para abastecer sua campanha como solicitou que o esquema fosse expandido em sua chegada ao Executivo. Azevêdo e Coutinho negam as acusações. Considerando-se o volume e o conteúdo das gravações, vai ser difícil provar a inocência deles.

Publicado em VEJA de 1º de janeiro de 2020, edição nº 2667

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