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O auge da ‘química’ entre Lula e Trump no caso da Venezuela

Expoente da esquerda na América Latina e farol mundial da direita compartilham do desdém pela democracia na vizinhança

Por Daniel Pereira 10 jan 2026, 11h53 • Atualizado em 10 jan 2026, 19h40
  • A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos colocou em lados opostos os presidentes do Brasil, Lula, e dos EUA, Donald Trump, que estabeleceram um canal de diálogo depois de se conhecerem nos bastidores da Organização das Nações Unidas (ONU), onde rolou uma “química” entre os dois, conforme ambos declararam.

    Após a intervenção americana na Venezuela, Lula disse que a ofensiva militar tinha ultrapassado uma linha inaceitável e lembrava os piores momentos de interferência política na América Latina, mas não citou nominalmente nem os EUA nem Trump. Foi uma tentativa de se equilibrar entre dois senhores — o aliado histórico de esquerda, Maduro, e o adversário de direita convertido em aliado improvável, Trump.

    Depois de fracassar como mediador de um acordo entre EUA e Venezuela, Lula e a diplomacia brasileira agem agora com o objetivo de garantir que a soberania dos venezuelanos seja respeitada. A preocupação não é apenas com o futuro do país vizinho, mas com a possibilidade de abertura de um precedente perigoso — no caso, o uso da força por Trump para fazer valer seus interesses mundo afora.

    Tão diferentes, mas tão iguais

    Apesar de terem opiniões divergentes sobre o destino da Venezuela, Lula, expoente da esquerda na América Latina, e Trump, farol mundial da direita mais radical, convergem sobre um ponto crucial. O auge da propalada química entre eles consiste na falta de empenho dos dois para ajudar os venezuelanos a se libertar da ditadura e voltar ao regime democrático.

    Apesar de os aliados de Jair Bolsonaro festejarem a derrocada de Maduro como o fim da tirania no país vizinho, o próprio Trump deixou claro que a prioridade dele foi se apossar das reservas de petróleo, tanto que as principais lideranças do regime chavista, sob a bênção dos EUA, continuam comandando a Venezuela.

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    Já Lula sempre foi um aliado de ditadores amigos. Depois de assumir o terceiro mandato presidencial, ele recebeu Maduro com tapete vermelho, num gesto destinado a fortalecê-lo politicamente. Depois, afirmou que o conceito de democracia é relativo e chegou ao desplante de declarar que a Venezuela tinha mais eleições do que o Brasil, sem ressaltar, claro, que eram fraudadas.

    Quando observadores internacionais denunciaram como farsa a última vitória eleitoral de Maduro, Lula não reconheceu o resultado da votação e pediu provas da lisura do processo, mas, como estas não foram apresentadas, o presidente brasileiro saiu de cena e mandou um representante para a posse do ditador reeleito.

    O zelo de Lula pela democracia se restringe ao Brasil. O de Trump nem aparece nos discursos oficiais. Nesse assunto específico, “pintou um clima” entre os dois, como o próprio petista declarou certa vez.

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