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O arsenal de Lula para desconstruir a candidatura de Flávio Bolsonaro

Além de apostar no uso da máquina pública, presidente explorará escândalos que rondam a família do senador

Por Daniel Pereira 1 mar 2026, 13h35 • Atualizado em 1 mar 2026, 15h05
  • Quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que concorreria ao Palácio do Planalto, assessores do presidente Lula e líderes petistas comemoraram a decisão, alegando que o filho mais velho de Jair Bolsonaro seria um nome mais fácil de ser derrotado nas urnas do que o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), que era a opção preferida do Centrão e de setores econômicos para representar a oposição na disputa.

    Como havia a percepção inicial de que Flávio era um “balão de ensaio” e poderia ser substituído mais tarde por Tarcísio, os governistas adotaram como estratégia poupar o senador de ataques, para que ele pudesse crescer nas pesquisas e se consolidar no páreo, o que reduziria o risco de o governador ser efetivado em seu lugar. O plano era claro: deixar o “adversário dos sonhos” de Lula jogar sozinho e ganhar musculatura, para que se tornasse um fato consumado.

    Esse roteiro está se concretizando de uma maneira um pouco diferente da idealizada pelos petistas. Flávio cresceu, como eles queriam, mas numa velocidade muito maior do que a imaginada pelo entorno de Lula. Duas pesquisas recentes mostraram o presidente e o senador empatados tecnicamente nas simulações de segundo turno, mas com Flávio pela primeira vez à frente numericamente, com menos de um ponto de vantagem.

    Ataques e desconstrução

    A grande questão é quando Lula e aliados partirão para cima de Flávio. No cronograma inicial, os ataques começariam depois de encerrado o prazo de desincompatibilização, em abril, quando ficaria claro que Tarcísio tentaria a reeleição em São Paulo. O crescimento do senador, no entanto, pode antecipar a artilharia contra ele.

    Para ganhar terreno na luta pela reeleição, o presidente tem duas estratégias principais. Uma delas é desconstruir a figura de Flávio, por meio, por exemplo, da exploração de escândalos que rondam a família dele, da tentativa de golpe de Estado, que rendeu uma condenação à cadeia a Jair Bolsonaro, a suspeitas de rachadinha e de proximidade com a milícia, com destaque para Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-chefe de um grupo de assassinos batizado de Escritório do Crime pelo Ministério Público do Rio. O apoio às ameaças e às sanções de Donald Trump ao Brasil também deve ser ressaltado.

    No embate com Flávio, Lula usará a máquina pública. Seus auxiliares lembram que a popularidade do concorrente à reeleição sempre sobe durante a campanha. Aconteceu até com Bolsonaro. A combinação de desconstrução do adversário com a melhora de imagem do incumbente selaria um novo triunfo do PT nas eleições. Foi assim em 2014, quando Dilma Rousseff, com a ajuda do marqueteiro João Santana, deixou em frangalhos a promissora campanha de Marina Silva à Presidência. A estratégia existe. Só falta combinar com o eleitor.

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