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O apelo de Cláudio Castro e do presidente da Alerj a Fux sobre a eleição-tampão no Rio

Governador e deputado pediram ao ministro que reconsidere decisão que alterou normas do pleito indireto ou encaminhe caso para julgamento no plenário do STF

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 mar 2026, 18h00 • Atualizado em 23 mar 2026, 18h39
  • O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e a Assembleia Legislativa do Estado pediram ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconsidere a decisão que alterou regras da eleição indireta para o Palácio Guanabara ou encaminhe o processo para julgamento urgente no plenário físico ou virtual do STF.

    Os poderes Executivo e Legislativo alertam para o risco de a decisão previsória do ministro “paralisar ou retardar” a eleição indireta, prolongando um cenário de indefinição no Rio até o julgamento definitivo do assunto no Supremo.

    “Esse cenário prolongaria a instabilidade político-institucional associada à eventual dupla vacância e manteria indefinida, por período adicional, a titularidade do mandato tampão, com prejuízo potencial à continuidade decisória do Estado em matérias de alta relevância administrativa e financeira”, argumentou Cláudio Castro.

    As normas da eleição indireta foram aprovadas na forma de projeto de lei pela Assembleia Legislativa e sancionadas por Cláudio Castro. Fux suspendeu dois trechos da legislação: o que prevê votação aberta, no lugar do voto secreto, e o que definiu um prazo de 24 horas para desincompatilização dos candidatos, a contar da data de convocação da eleição.

    O ministro decidiu que a votação precisa ser secreta e que só podem participar da eleição candidatos que tenham deixado seus cargos no Executivo há seis meses. Com isso, os principais cotados, Douglas Ruas e Nicola Miccione, ambos secretários do governo Castro até semana passada, e o ex-deputado estadual André Ceciliano, secretário de Assuntos Legislativos do governo Lula, correm o risco de ficar fora da disputa.

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    Em sua decisão, Fux justificou que o voto deve ser secreto “em decorrência da gravidade da situação da segurança pública” no Rio de Janeiro. Em relação aos prazos, ele considerou que a eleição indireta deve obedecer às mesmas regras das eleições diretas previstas na Lei da Inelegibilidade.

    Ao responder o STF, Cláudio Castro argumentou que o estado agiu dentro do seu poder regulamentar ao flexibilizar os prazos da eleição indireta. O governador sustenta que a exigência de seis meses de desincompatibilização, antes de um pleito cuja realização é incerta, “traduz-se, na prática, em limitação arbitrária ao direito de elegibilidade”. Afirmou, ainda, que não é razoável exigir um “verdadeiro exercício de futurologia” dos candidatos, “compelindo-os a renunciar ou afastar-se de funções públicas sem qualquer certeza de que a vacância efetivamente ocorrerá e de que a eleição indireta será realizada”.

    “Tanto na eleição indireta como na suplementar, o que está em jogo é a necessidade de evitar que exigências formais, pensadas para situações de normalidade institucional, operem como barreiras indevidas ao acesso a cargos eletivos em cenários excepcionais, em flagrante afronta aos princípios democrático, da segurança jurídica e da proporcionalidade”, pontuou o governador.

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    Castro também saiu em defesa do voto aberto, que segundo ele é “compatível com o princípio republicano e com a exigência de transparência na atuação parlamentar, permitindo que a sociedade conheça o posicionamento de seus representantes”. O deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente interino da Alerj, endossou os apelos do governador.

    O novo governador do Rio será eleito pelos deputados estaduais. O nome escolhido ficará no cargo até a posse do governador consagrado nas urnas em outubro, que assumirá em 1º de janeiro de 2027. O cenário inusitado, de duas eleições em um único ano, decorre da saída iminente de Cláudio Castro do cargo. O atual governador pretende lançar candidatura ao Senado se conseguir se livrar do processo a que responde no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como o Rio de Janeiro não tem vice – Thiago Pampolha deixou o Executivo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado – o governador-tampão precisa ser escolhido pela Alerj. Enquanto o nome não for definido, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, governará o estado provisoriamente.

    O assunto foi levado ao STF pelo PSD, partido do prefeito carioca Eduardo Paes, que é pré-candidato ao governo. Paes tem interesse na eleição indireta porque não quer que Douglas Ruas (PL), seu adversário, assuma o mandato-tampão e, com isso, ganhe uma vitrine importante para as eleições de outubro.

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