Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

O 38º presidente do Brasil

A vitória de Bolsonaro atropela dogmas eleitorais e coloca o novo líder do país diante de desafios imensos — a começar pela tarefa de governar para todos

Por Da Redação Atualizado em 4 jun 2024, 16h36 - Publicado em 29 out 2018, 07h00

Até o momento em que cravou 55% dos votos válidos a seu favor na disputa do segundo turno, Jair Messias Bolsonaro, de 63 anos, só tinha motivos para comemorar sua eleição para ser o 38º presidente da República Federativa do Brasil. Sua vitória — que parecia impossível, tornou-se improvável, depois possível e evoluiu para provável até chegar ao estágio de inevitável — é um triunfo que atropelou todos os dogmas eleitorais. Bolsonaro venceu mesmo com uma coligação partidária raquítica, dinheiro contado e escassos oito segundos de televisão no horário eleitoral gratuito no primeiro turno. Mas, a partir desta semana, a celebração do sucesso eleitoral já começa a ceder lugar às providências necessárias para que seu governo esteja capacitado para encarar os desafios — imensos desafios — que terá pela frente.

Como Bolsonaro vai enfrentar os problemas da economia, depois de uma recessão cruel e uma taxa de desemprego em níveis inaceitáveis? Como pretende atacar o monumental déficit da Previdência Social, o ponto nevrálgico do descalabro fiscal do país? Como vai lidar com um Congresso Nacional que receberá um punhado significativo de caras novas e uma divisão ideológica claramente demarcada? Como vai controlar os radicais que o apoiam e que, antes mesmo da vitória, ajudaram a disseminar a desconfiança sobre a aptidão democrática de seu governo?

Em seu primeiro pronunciamento depois da consagração nas urnas, transmitido através de um vídeo caseiro, Bolsonaro agradeceu “o apoio, as orações e a confiança” e disse: “O que mais quero (…) é colocar o nosso Brasil num lugar de destaque”. Depois, lendo um discurso para eleitores e aliados à porta de sua casa no Rio, o presidente eleito selou um compromisso alentador: “Faço de vocês minhas testemunhas de que este governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”. E, em seguida, completou: “Isso é uma promessa, não de um partido, não é a palavra vã de um homem, é um juramento a Deus”.

Até o dia da posse, em 1º de janeiro, e mesmo depois disso, o presidente eleito terá múltiplas oportunidades para dirimir muitas das dúvidas que ainda persistem sobre suas reais convicções — políticas e econômicas. Alvo de um atentado antes do primeiro turno, Bolsonaro não participou de debates, evitando expor-se ao contraditório, não deu maiores explicações sobre seus afagos à ditadura militar e à tortura, e concedeu raras entrevistas, quase sempre em circunstâncias calculadamente amigáveis, deixando incertezas sobre sua abrupta inflexão à economia liberal.

Continua após a publicidade

Agora, além da tarefa de começar a constituir sua equipe ministerial — na qual desponta a estrela do economista Paulo Guedes, cotado para reunir superpoderes —, Bolsonaro, com sua vitória nas urnas, ganhou simultaneamente o direito e o dever de transformar-se em presidente de todos os brasileiros, incluindo os 47 milhões de eleitores que votaram em seu adversário, o petista Fernando Haddad. Superado o clima passional da campanha eleitoral, o presidente eleito deverá tomar para si a missão de acalmar os ânimos e baixar os decibéis de sua retórica — coisa que já prometeu fazer. É um sinal necessário. Quanto mais bem-sucedido Bolsonaro for nessa missão, mais serena e mais eficaz deverá ser sua Presidência.

Publicado em VEJA de 31 de outubro de 2018, edição especial nº 2606

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.