Nova pesquisa revela um desafio para Lula e uma oportunidade para a direita
Levantamento do Paraná Pesquisas mostra Lula à frente no primeiro turno, mas expõe um enorme contingente de eleitores indefinidos
A mais recente pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, divulgada nesta quinta, 29, indica que o presidente Lula lidera o primeiro turno na corrida presidencial, mas enfrenta um cenário ainda aberto, marcado por alto índice de indefinição do eleitorado e pela baixa lembrança espontânea de seus principais adversários. A análise foi feita no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, com comentários do colunista de VEJA e especialista em opinião pública Mauro Paulino (este texto resume trechos do vídeo acima).
Na pesquisa espontânea — quando o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos — Lula aparece com 25,5% das citações. Em segundo lugar surge o senador Flávio Bolsonaro, com 12,1%, superando inclusive o pai, Jair Bolsonaro, que mesmo inelegível ainda é lembrado por 6,3% dos entrevistados.
O que a pesquisa espontânea revela sobre o eleitor?
Segundo Mauro Paulino, o principal valor desse tipo de levantamento é mostrar quem está no “topo da mente” do eleitor. Nesse aspecto, o presidente Lula aparece com uma vantagem expressiva. “Em respostas espontâneas, 25,5% é um percentual bastante significativo”, afirmou.
Mas o dado que mais chama atenção, segundo o analista, é outro: quase metade do eleitorado ainda não sabe em quem votar ou declarou voto branco ou nulo. Somados, esses grupos chegam perto de 50%, sinalizando que o eleitor ainda não está plenamente engajado no debate eleitoral.
Há espaço real para crescimento dos adversários de Lula?
Para Paulino, sim. O alto índice de indefinição indica que o jogo ainda está longe de fechado. Embora Lula parta de uma posição confortável, há espaço para movimentação — especialmente para candidatos que ainda não conseguiram se tornar conhecidos nacionalmente.
Flávio Bolsonaro, por exemplo, aparece bem posicionado na espontânea, mas ainda distante do presidente. Para o colunista, isso se explica pelo fato de que sua candidatura ainda não é plenamente conhecida pelo eleitorado. Ao mesmo tempo, ele carrega o peso da rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro.
A marca Bolsonaro ainda pesa mais que o candidato?
A pesquisa reforça a força simbólica do bolsonarismo. Mesmo inelegível, Jair Bolsonaro continua sendo lembrado espontaneamente, o que mostra que a marca segue viva no imaginário de parte do eleitorado. Flávio Bolsonaro, nesse contexto, herda tanto o potencial de votos quanto a rejeição associada ao pai.
Paulino destacou que esse duplo efeito — força e rejeição — é um fator central para entender o desempenho do senador nas pesquisas iniciais.
Por que Tarcísio aparece tão pouco na espontânea?
Apesar de frequentemente citado como uma das principais alternativas da direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece com apenas 1,7% na pesquisa espontânea. Para Mauro Paulino, esse dado evidencia o principal desafio do governador: tornar-se conhecido fora de São Paulo.
“O grande desafio para Tarcísio e para os demais candidatos da direita é, primeiro, tornar a candidatura conhecida e, depois, construir uma imagem nos estados onde eles não têm atuação direta”, afirmou.
O que esse cenário indica para a campanha?
O levantamento do Paraná Pesquisas sugere que, embora Lula lidere com folga entre os nomes lembrados espontaneamente, a eleição ainda está em aberto. O grande contingente de eleitores indefinidos cria um terreno fértil para disputas narrativas e estratégias de nacionalização de candidaturas.
Enquanto Lula parte de uma posição consolidada, seus adversários precisam ganhar visibilidade, reduzir rejeições e ocupar o espaço deixado por um eleitor que, por ora, ainda não decidiu seu voto.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.





