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‘Não é o problema nuclear que está em jogo’, afirma ex-embaixador sobre guerra no Irã

Para Eduardo Gradilone, posição do Brasil ao condenar ataques e defender negociações está alinhada ao direito internacional e à tradição diplomática

Por Marcela Rahal Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 mar 2026, 12h52 • Atualizado em 2 mar 2026, 14h05
  • “Na verdade, não é o problema nuclear que está em jogo.” A avaliação é do ex-embaixador do Brasil no Irã, Eduardo Gradilone, ao analisar os ataques americanos contra o país persa. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, ele afirmou que a ofensiva desrespeita o direito internacional e defendeu a postura adotada pelo governo brasileiro no conflito.

    Gradilone disse ver “com preocupação” a decisão dos Estados Unidos de atacar o Irã em meio às negociações sobre o fim do programa nuclear iraniano. Segundo ele, o chanceler de Omã, que mediava as conversas, indicou que havia avanços expressivos e concessões inéditas por parte de Teerã. Para o diplomata, os bombardeios sinalizam que outros objetivos estariam em jogo, possivelmente ligados a uma mudança de regime.

    O ex-embaixador avaliou que uma transformação política no Irã, se desejada pela população, deveria ocorrer a partir de um movimento interno. Ele afirmou que ações externas tendem a reforçar o sentimento nacionalista e dificultar qualquer ruptura. “É muito difícil para a população concordar com a invasão de seu país”.

    Na análise de Gradilone, não há atualmente uma oposição estruturada capaz de liderar a queda do regime. Ele destacou a complexidade da estrutura política iraniana, que inclui lideranças religiosas, a Guarda Revolucionária e um aparato de segurança robusto, além de um governo constitucional com o qual a comunidade internacional mantém interlocução.

    O diplomata lembrou que o atual presidente iraniano foi eleito com uma plataforma considerada mais liberal, defendendo a redução de restrições internas e a diminuição das hostilidades com países ocidentais. Para ele, esse setor institucional poderia ser fortalecido por meio do diálogo, e não enfraquecido por ataques militares durante negociações.

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    Questionado sobre a possibilidade de escalada, Gradilone afirmou que o conflito já se ampliou, citando retaliações iranianas e tensões envolvendo países da região, além do risco no Estreito de Ormuz. Segundo ele, o Irã tende a ficar mais isolado à medida que Estados atingidos por ações militares protestam contra violações de soberania.

    Ao comentar a reação brasileira, o ex-embaixador considerou adequada a nota do Itamaraty que condenou os ataques e defendeu a retomada do diálogo. Para ele, o governo buscou reafirmar o respeito ao direito internacional e às instâncias multilaterais como caminho para resolver o impasse.

    Gradilone avaliou que não caberia, neste momento, uma condenação adicional ao regime iraniano fora dos fóruns apropriados. Segundo ele, eventuais críticas relacionadas a direitos humanos devem seguir os mecanismos institucionais previstos.

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