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MPF vai apurar se houve intolerância religiosa na programação do Rio para a virada do ano

Investigação foi motivada pela decisão da prefeitura carioca de incluir um palco gospel entre os 13 espalhados pela cidade

Por Lucas Mathias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 dez 2025, 11h30 • Atualizado em 30 dez 2025, 13h39
  • O Ministério Público Federal abriu um inquérito civil para apurar se houve intolerância religiosa e discriminação cultual na decisão da Prefeitura do Rio de incluir um palco gospel entre as atrações do Réveillon na cidade. Ao todo, serão 13 espaços espalhados pela capital fluminense e reservados para shows de artistas na virada do ano. A decisão de reservar um deles somente para esse gênero religioso, contudo, foi motivo de polêmicas nos últimos dias, em meio a declarações do prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD). 

    A programação prevê que o palco gospel fique na praia do Leme, na Zona Sul da cidade. Entre as atrações, estão Midian Lima, Samuel Messias, Thalles Roberto e o grupo Marcados Pagode Gospel. Tal iniciativa já havia acontecido no ano passado, também durante a gestão de Paes, que tem boa relação com líderes evangélicos locais. 

    “Após reuniões e diligências que já haviam sido realizadas ao longo de 2025, o MPF requisitou à Prefeitura do Rio de Janeiro mais informações sobre os critérios adotados para a definição e a destinação de recursos públicos para eventos culturais realizados nas praias durante o Réveillon de 2026”, afirmou o órgão em nota.

    Além disso, também foi definido prazo para que a prefeitura responda até 21 de janeiro de 2026, data em que também será realizada reunião, na sede do MPF, com representantes do poder público e de entidades da sociedade civil, com o objetivo de discutir políticas públicas para o enfrentamento da intolerância e do racismo religioso e cultural.

    “A decisão destaca os compromissos assumidos pelo Estado brasileiro para promoção da diversidade cultural, visando ao enfrentamento da intolerância e do racismo religioso, a teor da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, bem como da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, da UNESCO”, completa o MPF.

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    A decisão de reservar um palco apenas para artistas da música gospel foi alvo de críticas do babalawô Ivanir dos Santos. Para ele, os rituais das religiões de matriz africana, apesar de contribuírem historicamente para o simbolismo do Réveillon carioca, não receberam o mesmo espaço reservado à música gospel. À coluna do jornalista Ancelmo Gois, no jornal O Globo, Santos afirmou que “a diversidade não pode ser apenas um discurso”, mas “exige práticas concretas de reconhecimento, representação e igualdade no uso do espaço público”. 

    A crítica foi repercutida pelo prefeito Eduardo Paes, que classificou o posicionamento como um “preconceito dessa gente”. “O réveillon da praia de Copacabana é de todos!  A música gospel também pode ter seu lugar”, completou. Reprovado pelo termo usado, Paes em seguida reforçou “celebrar todos os cariocas” e pediu desculpas “a quem é contra o palco gospel”. 

    “Minha defesa as religiões de matriz africana e a liberdade religiosa de forma geral é pública e notória! Me desculpo adiantado com os ritmos que não foram incluídos nesse réveillon!  Prometo mais atenção”, escreveu Paes, antes de destacar a variedade de ritmos contemplados pela programação deste ano. Ainda assim, o prefeito foi alvo de críticas de seguidores por privilegiar uma religião em relação às outras. 

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