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Moro diz ter ‘confiança pessoal’ em Onyx, que admitiu caixa dois

Questionado sobre apuração da PGR contra futuro chefe da Casa Civil, ex-juiz destacou atuação dele para aprovar projeto das Dez Medidas contra a Corrupção

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que Onyx Lorenzoni, coordenador da transição para o governo de Jair Bolsonaro e chefe da Casa Civil do presidente eleito, tem a sua “confiança pessoal”. A declaração foi dada após questionamento sobre o fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin ter autorizado a abertura, pela Procuradoria-Geral da República, de um processo para apurar a prática de caixa dois.

Moro ressaltou que as perguntas relacionadas ao processo deveriam ser feitas ao futuro ministro-chefe da Casa Civil, mas destacou a atuação do parlamentar como relator do projeto, proposto pelo Ministério Público, que ficou conhecido como Dez Medidas Contra a Corrupção.

“O que eu tenho, a presente, do ministro Onyx, e isso eu assisti de perto, foi o grande esforço que ele realizou para aprovar as dez medidas do Ministério Público, ocasião na qual ele foi abandonado pela grande maioria dos seus pares, por razões que não vem aqui ao caso. Mas ele demonstrou naquela oportunidade o comprometimento pessoal, com custo político significativo, para a causa anticorrupção. Então, ele tem a minha confiança pessoal”, afirmou Moro nesta terça.

Fachin autorizou um pedido da PGR para que fosse aberta uma petição autônoma específica para analisar as acusações de caixa dois feitas por delatores da J&F contra Lorenzoni e outros dez parlamentares que prosseguirão com foro privilegiado em 2019. A medida é uma fase anterior à instauração do inquérito, quando o parlamentar passa a ser formalmente investigado. Nela, já é possível pedir medidas de investigação.

Pesam sobre Lorenzoni o relato e planilhas dando conta de pagamentos feitos pela J&F de 100 mil reais em 2012 e de 200 mil reais em 2014. O deputado federal admitiu ter recebido 100 mil reais e pediu desculpas. “Quero pedir desculpas ao eleitor que confia em mim pelo erro cometido. Estou assumindo aqui como um homem tem de fazer”, disse, ao reconhecer ter recebido o dinheiro não contabilizado em sua campanha de 2014.

‘Trapaça’

Em uma palestra concedida a estudantes brasileiros na Universidade de Harvard, em 2017, Moro disse que a prática de caixa dois é uma “trapaça”, “um crime contra a democracia” e pior que enriquecimento ilícito. “Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito”, disse.

Após ser indicado para integrar o ministério de Bolsonaro, Moro minimizou as suspeitas que pesam sobre seu futuro colega no governo. “Ele (Lorenzoni) mesmo admitiu os seus erros, pediu desculpas e tomou as providências para repará-los”, disse o ex-juiz da Lava Jato.

Por meio de sua assessoria, Lorenzoni afirmou que recebeu a notícia de abertura do procedimento preliminar requerido pela PGR com “muita tranquilidade”. “Tal procedimento me dará oportunidade de esclarecer, com a verdade e de forma definitiva, perante o Poder Judiciário, as questões relativas ao fato, a exemplo do que já foi feito diante da opinião pública de meu estado e da sociedade brasileira”, disse.