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Mirando governo de SP, Márcio França fecha com PR e busca PSDB

Pré-candidato ao Bandeirantes recebe primeiro apoio nesta segunda e de mais dois partidos até o final da semana, aumentando pressão sobre tucanos

Pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, o vice-governador Márcio França (PSB) vai ganhar seu primeiro apoio formal nessa segunda-feira. A direção do PR paulista vai anunciar seu apoio a França, que, a partir de abril, assume o cargo deixado por Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato à Presidência da República.

O novo aliado do vice-governador tem, em seu diretório de São Paulo, oito deputados, cinco federais e três estaduais. Márcio França afirmou a VEJA que até o final da semana fechará aliança com outros dois partidos, o Solidariedade e o Pros.

“Na quinta-feira, o Solidariedade vai fechar apoio. E na sexta é o Pros. Com os quatro partidos (PSB, PR, Solidariedade e Pros) vamos ter um tempo de TV equivalente ao que Doria teve em São Paulo para vencer no primeiro turno”. Uma parcela do tempo de televisão é distribuída igualitariamente entre todos os partidos e a outra é relativa ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.

Somando os quatro partidos, Márcio França chega a uma “bancada” de 89 deputados (32 do PSB, 37 do PR, 14 do SD e 6 do Pros). Para efeito de comparação, o PSDB tem 47 deputados e o PMDB e o PT, dos pré-candidatos Paulo Skaf e Luiz Marinho, tem 61 e 57, respectivamente. Com a estratégia, o vice-governador busca formar uma grande aliança com a atual base aliada, isolando projetos individuais de candidaturas tucanas.

Assim, França pretende ser o único candidato ao governo de SP a dar sustentação à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin, esbarrando nos planos dos tucanos João Doria, prefeito de São Paulo, e José Serra, senador. Na negociação, também deve entrar um possível apoio do PSB à candidatura de Alckmin.

A ideia sofre resistência do PSDB, que venceu todas as disputas para o governo paulista desde 1995. Além de Doria e de Serra, que não falam publicamente sobre a hipótese de disputar o Palácio dos Bandeirantes, os tucanos têm dois pré-candidatos anunciados: o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, e o cientista político Luiz Felipe D’Ávila.

Questionado sobre o envolvimento de quadros importantes do PR em investigações criminais (como é o caso do próprio presidente do partido, o ex-vereador paulistano Antonio Carlos Rodrigues), França afirmou que todas as legendas tiveram problemas. “Todos os partidos tiveram problemas com alguns de seus quadros. Mas um partido é muito maior do que uma ou outra pessoa”, disse.

Rodrigues foi preso em novembro do ano passado, como parte do inquérito que investiga o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR), e solto um mês depois, por decisão do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conversas

Durante o fim de semana, França articulou para esvaziar um encontro tucano convocado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Cauê Macris (PSDB), em favor de João Doria, previsto para ocorrer nesta terça-feira (16) às 15h, na sede da Prefeitura. Dos vinte confirmados na semana passada, oito desistiram.

E entre os que devem comparecer, há deputados que pretendem deixar claro que a visita não é um ato de apoio da bancada. Procurado, Macris informou que o intuito do encontro segue sendo o de convidar João Doria a ser o candidato defendido pelos tucanos da Alesp, embora ainda não haja consenso em torno de um nome para o governo.

Quem também se movimentar para esvaziar o anúncio de Macris é José Serra. O senador, que já comandou o estado, teria ligado para o também deputado estadual Barros Munhoz (PSDB) e pedido o adiamento do encontro. Serra ainda teria dito a Munhoz que quer sair candidato ao governo.

O presidente do PSDB-SP, Pedro Tobias, descarta apoiar França, mas reconhece que a candidatura nacional precisa ser definida antes. “Não tem possibilidade nenhuma do PSDB não ter candidato a governador”, afirmou. Sobre o encontro com Doria, Tobias disse que a bancada também aceitará reuniões com Serra e outros pré-candidatos tucanos.

“As ações do PSDB na esfera estadual precisam estar em consonância com o projeto presidencial de Alckmin, a grande liderança local e nacional do partido”, disse o deputado estadual Carlos Bezerra Júnior (PSDB). “Antes de qualquer decisão, o PSDB tem que estar sintonia com o desejo do cidadão paulistano e precisa ouvir as principais lideranças do partido: Alckmin, Fernando Henrique Cardoso e Serra”, argumentou.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

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  1. O PSDB vai fechar com o tal do secretário da habitação, o Rodrigo Garcia (DEM), para que o apoio peso-pesado do Kassab venha ajudar o Alckmin.

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