Ministro de Lula diz que Carnaval ‘foi ruim para o governo’ e explica motivo
Em entrevista a VEJA, Silvio Costa Filho avalia que desfile com uso ‘eleitoreiro’ e caricatura de Bolsonaro provocaram perda de até quatro pontos nas pesquisas
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, reconheceu que o Carnaval teve impacto negativo sobre a imagem do governo federal. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, ele afirmou que o episódio foi “ruim para o governo” e contribuiu para a oscilação recente nas pesquisas de opinião.
“Nós tivemos aí um carnaval que, de certa forma, foi ruim para o governo”, declarou o ministro. Questionado sobre os motivos, foi direto: “Foi feito do carnaval um uso eleitoreiro, aquele desfile da escola de samba misturando governo com escola de samba e a própria oposição de maneira competente instrumentalizou dizendo que tudo aquilo ali era contra a família brasileira, contra os evangélicos.”
Na avaliação de Costa Filho, houve “um conjunto de excessos na escola de samba”, citando como exemplo “a caricatura do ex-presidente Bolsonaro”. Para ele, o episódio “gerou um ambiente muito negativo” e provocou “uma perda de três, quatro pontos por conta de uma corrente de opinião, sobretudo, que se reverberou por conta das redes sociais”.
Apesar da admissão do desgaste, o ministro relativizou o impacto. “Pesquisa é um retrato do momento. Eleição a gente sabe como entra e não sabe como sai”, afirmou. Segundo ele, o governo ainda não colheu, nas sondagens, os efeitos de medidas econômicas adotadas nos últimos meses, como mudanças no Imposto de Renda e indicadores de emprego e renda.
Costa Filho também classificou como correta a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na visão do ministro, ao optar pelo filho, o ex-presidente preserva o capital político do bolsonarismo, que, segundo ele, parte de um patamar próximo a 45% do eleitorado.
Ele reconheceu que a eleição tende a ser “profundamente polarizada”, com cerca de 45% ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e percentual semelhante com o candidato da direita. “Quem vai decidir essa eleição é dez, 12% do eleitorado brasileiro”, afirmou.
Ao comentar o crescimento de Flávio nas pesquisas, o ministro avaliou que o avanço ocorreu sobretudo sobre candidaturas de centro. “Qualquer candidato de centro nessas eleições terá no máximo 5% dos votos do Brasil. Quem quer que seja”, disse, ao sustentar que não haverá espaço relevante para uma terceira via.
Costa Filho afirmou ainda que o presidente Lula está concentrado na agenda de governo e que o enfrentamento eleitoral deve ganhar corpo a partir da consolidação das candidaturas.





