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Meirelles avisa: sem autonomia, não seguirá à frente do BC

Ele ainda não teria aceitado convite de Dilma para ficar no cargo, dizem jornais

Por Da Redação 19 nov 2010, 06h55

Caso Meirelles resolva declinar do convite de Dilma, o nome de Alexandre Tombini, diretor do BC, é um dos mais cotados para assumir a presidência da instituição

Com a confirmação da permanência de Guido Mantega como ministro da Fazenda, as atenções se voltam agora para a definição do nome que ocupará outro importante cargo na equipe econômica de Dilma Rousseff: a presidência do Banco Central. Dilma teria optado pela manter Henrique Meirelles no comando do BC – e não apenas provisoriamente, como se havia cogitado. O atual presidente da instituição, porém, não pretende aceitar o cargo a menos que tenha total autonomia, como ocorre há oito anos.

De acordo com a edição desta sexta-feira do jornal O Globo, a presidente eleita já definiu os nomes que vão ocupar a linha de frente de seu governo: o deputado Antonio Palocci (PT-SP), o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o deputado José Eduardo Cardozo (SP), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o atual chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho. Dilma também convidou Meirelles para permanecer à frente do BC, mas a proposta não foi aceita de imediato. Com o presidente do BC em viagem internacional, as conversas seguem.

O motivo pelo qual Meirelles não aceitou de imediato continuar no cargo é o risco de que Dilma não lhe garanta autonomia absoluta de ação. Segundo a edição desta sexta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do BC acredita que, caso perca seu poder de decisão, vai manchar sua biografia e a credibilidade que conquistou nos oito anos à frente da autoridade monetária no governo Lula.

Dilma já disse que pretende reduzir a taxa real de juros (que considera as correções inflacionárias) a 2% até 2014. Atualmente, ela é de 5,8%. Para isso, é dado como certo que ela vai centralizar em torno de si todas as ações econômicas do início do governo. Pretende, com isso, alcançar dois objetivos: forçar a redução nas taxas de juros logo na primeira reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) e mostrar que, ao contrário do presidente Lula, ela terá o controle de todos os setores do governo, a começar pela economia.

Com a centralização e a pressão explícita para que os juros baixem – o que Lula nunca exerceu em relação ao Banco Central -, Meirelles ficará numa posição desconfortável, pois sua política de combate à inflação tem sido sempre a de, por absoluta prevenção, manter os juros altos. Sendo assim, a hipótese de que ele se recuse a continuar à frente do BC ganha cada vez mais força.

Ainda segundo o Estado de S. Paulo, caso Meirelles resolva declinar do convite de Dilma, o nome de Alexandre Tombini, diretor de Normas e Sistema Financeiro do Banco Central é um dos mais cotados para assumir a presidência da instituição. Tombini teria uma forma de pensar mais parecida com a de Dilma e Mantega do que Meirelles.

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