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Marcos Valério: despesas de Lula eram pagas com dinheiro de corrupção

Ouça o trecho do depoimento prestado pelo empresário em que ele fala sobre as relações financeiras com o governo e com o ex-presidente

Por Hugo Marques - 27 out 2019, 08h00

Em um depoimento ao Ministério Público de São Paulo, prestado no Departamento de Investigação de Homicídios de Minas Gerais, a que VEJA teve acesso, o operador do mensalão declarou que Lula e outros petistas graduados foram chantageados por um empresário de Santo André que ameaçava implicá-los na morte de Celso Daniel, prefeito da cidade, executado a tiros depois de um misterioso sequestro, em 2002. Mais: disse ter ouvido desse empresário que o ex-presidente foi o mandante do assassinato.

O promotor também perguntou sobre as relações financeiras do empresário com o governo e com o ex-presidente Lula (ouça o áudio acima):

“— O caixa que o senhor administrava era dinheiro de corrupção?”
“— Caixa dois e dinheiros paralelos de corrupção, propina e tudo.”
“— Do Governo Federal?”
“— Sim, do Governo Federal.”
“— Na Presidência de Lula?”
“— Na Presidência do presidente Lula.”
“— Pagamentos para quem?”
“— Para deputados, para ministros, despesas pessoais do presidente, todo tipo de despesa do Partido dos Trabalhadores”.

No depoimento, Valério reafirmou sua intimidade com o presidente Lula. Ele contou que esteve mais de uma centena de vezes no Palácio do Planalto para encontros com o presidente e com o então todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Foi em um desses encontros que Dirceu lhe teria pedido para resolver o problema da chantagem que estaria sofrendo por conta do caso Celso Daniel. Foi também em um desses encontros que Lula teria lhe agradecido por ter resolvido o problema.

Se Valério estiver dizendo a verdade — e é isso que as novas investigações se propõem a descobrir —, a morte do prefeito teria o objetivo de esconder que a prefeitura de Santo André funcionava como uma gazua do PT para financiar não só as campanhas políticas mas a boa vida de seus dirigentes, incluindo Lula. A morte de Celso Daniel, portanto, poderia ter sido realmente uma queima de arquivo. Irmãos do prefeito assassinado concordam com essa tese e sempre defenderam a ideia de que a possível participação de petistas no crime deveria ser apurada. O novo depoimento, embora não traga uma prova concreta, colocou mais fogo numa velha história.

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