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Maioria dos economistas rejeita a ideia, mas Lula insiste em uma grande aposta para as eleições

Sem votos suficientes para aprovar a mudança na jornada de trabalho, Planalto tenta transformar proposta em bandeira eleitoral

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jan 2026, 17h31 •
  • A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, defendida desde o início do atual governo, voltou ao centro do debate político como uma das prioridades do Palácio do Planalto no Congresso. Apesar do discurso público favorável, ainda não há votos suficientes para aprovar mudanças na jornada de trabalho previstas na Constituição, o que levou o governo a apostar em mobilizações populares nas ruas e nas redes sociais para tentar destravar o tema (este texto é um resumo do vídeo acima).

    A avaliação foi feita no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, em entrevista com o cientista político Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice. Segundo ele, a proposta é considerada estratégica pelo governo, especialmente em um ano eleitoral, mas enfrenta resistências consistentes dentro do Legislativo.

    Por que o governo insiste no fim da escala 6×1?

    De acordo com Noronha, o fim da escala 6×1 é visto pelo governo como uma vitrine política da atual gestão e uma mensagem direta ao eleitorado. A aposta do Planalto é transformar o tema em símbolo de compromisso com os trabalhadores, explorando seu alto apelo popular. Já há mobilizações previstas para maio, mês tradicionalmente associado às pautas trabalhistas, com o objetivo de ampliar a pressão sobre o Congresso.

    Onde está a principal resistência no Congresso?

    A maior oposição à proposta vem de parlamentares ligados à frente do empreendedorismo, que manifestam preocupação com os impactos da medida sobre micro e pequenas empresas. Segundo Noronha, esse segmento é responsável por grande parte dos empregos no país e teria mais dificuldade de absorver os custos de uma redução na jornada de trabalho, ao contrário das grandes companhias, que poderiam se adaptar com mais facilidade. A maioria dos economistas adverte que a simples redução da jornada, implementada de uma hora para outra, resultaria, de imediato, numa monumental queda do PIB.

    O tema pode se tornar eleitoralmente incontornável?

    Para o cientista político, a popularidade da proposta cria um dilema para deputados e senadores. Caso o debate ganhe força durante a campanha, torna-se difícil para parlamentares resistirem sem se indispor com seus eleitores. Quase a totalidade da Câmara dos Deputados disputará a reeleição, assim como cerca de dois terços do Senado, o que amplia o peso do cálculo eleitoral sobre a decisão.

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    O que mudou desde a última votação no Congresso?

    Noronha lembra que, no fim do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou de forma relativamente rápida um texto sobre o fim da escala 6×1, pegando parte do Congresso de surpresa. O episódio mostrou, segundo ele, que o tema pode avançar com rapidez caso entre de vez na agenda política e eleitoral.

    Qual é a estratégia política do Planalto?

    O governo trabalha com dois cenários. Se conseguir aprovar a proposta, apresentará a mudança como uma conquista direta para os trabalhadores. Caso não avance, a estratégia será atribuir o fracasso à oposição, explorando politicamente a resistência ao projeto. Em ambas as hipóteses, a avaliação é de que o Planalto pretende capitalizar o debate.

    Lula pode usar o tema como bandeira de campanha?

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já citou o fim da escala 6×1 em pronunciamento oficial, e integrantes do governo reforçam que o assunto é prioritário. Para Noronha, isso indica que a discussão deve se intensificar nos próximos meses e se tornar um dos principais pontos de tensão entre Executivo e Legislativo ao longo do ano.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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