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Lula veta, Congresso reage e eleição entra em cena: o que está por trás da dosimetria

Para Lula, o veto cumpre seu papel simbólico. Para o Congresso, a derrubada reafirma autonomia

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jan 2026, 15h04 • Atualizado em 13 jan 2026, 15h47
  • Mesmo em pleno recesso parlamentar, a política em Brasília já opera em ritmo eleitoral. O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei da dosimetria das penas do 8 de Janeiro — aprovado com apoio da própria base governista — tornou-se o eixo em torno do qual partidos e lideranças começam a reorganizar alianças e sinalizar prioridades para 2026 (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Embora a derrubada do veto só possa ser analisada com a retomada dos trabalhos legislativos, no início de fevereiro, o assunto segue sendo explorado como instrumento de pressão e reposicionamento político.

    Um veto com data para cair

    Relator do PL da Dosimetria na Câmara, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirmou a VEJA que já há articulação para derrubar o veto presidencial. O cálculo político é simples: Lula vetou o texto para sustentar um discurso simbólico de defesa da democracia, mas sem expectativa real de manter a decisão.

    Nos bastidores do Congresso, a avaliação predominante é de que o veto será derrubado com facilidade. A aprovação do projeto, ainda em 2024, já havia sido construída com apoio de líderes governistas, o que enfraquece qualquer tentativa do Planalto de sustentar a derrota no plenário.

    “O veto faz parte de uma encenação. Lula veta sabendo que não tem força política para manter esse veto”, resume Robson Bonin, colunista de Radar, ao programa Ponto de Vista.

    Hugo Motta joga com o tempo

    Enquanto a oposição organiza o discurso contra o veto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adota cautela. Em entrevista recente concedida na Paraíba, Motta afirmou ter recebido o veto “com tranquilidade” e lembrou que a definição da data para apreciação cabe ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre.

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    Mais do que a dosimetria, porém, a fala de Motta chamou atenção pelo tom eleitoral. Questionado sobre um eventual apoio à reeleição de Lula, o deputado deixou claro que qualquer aliança nacional passa, antes, por acordos regionais — especialmente na Paraíba.

    O discurso reforça a lógica que deve dominar 2026: palanques estaduais como moeda de negociação federal.

    Aproximação tática, não aliança

    Apesar de sinais recentes de reaproximação entre Lula e Hugo Motta — incluindo gestos do governo em obras e investimentos no reduto eleitoral da família do deputado —, não há, segundo Bonin, qualquer perspectiva de aliança estrutural entre Republicanos e PT.

    “O que existe é um momento menos conflituoso, não um pacto político”, afirma o colunista.

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    Prova disso é a agenda que Motta sinaliza para a retomada dos trabalhos: a prioridade declarada é a PEC da segurança pública, uma pauta da qual o próprio governo Lula já começou a se afastar. O movimento reforça a leitura de que o presidente da Câmara não pretende funcionar como facilitador da agenda eleitoral do Planalto.

    O pano de fundo: Tarcísio, Centrão e traições regionais

    A equação se torna ainda mais complexa com o peso de nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, principal referência nacional do Republicanos e nome cada vez mais cotado para a disputa presidencial.

    Na Paraíba, o alinhamento de Motta com o grupo do PP — partido comandado por Ciro Nogueira, um dos principais aliados do bolsonarismo — aponta para um distanciamento estrutural do PT no plano nacional, independentemente de gestos pontuais de Lula.

    “O Republicanos não vai se unir ao PT. Isso não passa pela cabeça do Hugo Motta”, diz Bonin.

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    Um Congresso dividido — e pragmático

    A expectativa, segundo lideranças ouvidas pela coluna Radar, é de um início de ano “amistoso” entre Executivo e Legislativo, sem confrontos diretos imediatos. Mas isso não significa fidelidade eleitoral.

    A tendência é de partidos formalmente neutros ou até aliados do governo abrigarem, nos estados, campanhas veladas para outros candidatos — um padrão já conhecido em eleições anteriores.

    O desfecho já escrito

    No caso específico da dosimetria, o roteiro parece definido: o Congresso retoma os trabalhos, derruba o veto presidencial e avança para outras pautas consideradas mais urgentes, como segurança pública.

    Para Lula, o veto cumpre seu papel simbólico. Para o Congresso, a derrubada reafirma autonomia. Para a oposição, o tema serve como combustível político no início de um ano que, embora oficialmente só comece “depois do carnaval”, já está inteiramente contaminado pela eleição de 2026.

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    A disputa, neste momento, não é sobre penas ou justiça — é sobre quem controla o ritmo e a narrativa do próximo ciclo político.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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