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Lula e Fernando Haddad: parceria, prestígio e histórico de enquadradas

Presidente impulsionou a carreira do aliado, mantém com ele uma relação de confiança, mas não abre mão de mostrar quem manda, inclusive na economia

Por Daniel Pereira 30 jun 2024, 14h51

O presidente Lula tem apreço pessoal por Fernando Haddad. Foi pelas mãos de Lula que Haddad se tornou ministro da Educação, prefeito de São Paulo, candidato derrotado à Presidência da República e agora ministro da Fazenda. Os dois mantêm uma relação de confiança e de parceria, na qual o chefe sempre faz questão de reforçar a relação de hierarquia. Há espaço para o debate de ideias e medidas entre eles, mas quem manda e dá a última palavra é sempre Lula.

Em 2018, por exemplo, quando estava preso pela Operação Lava-Jato, Lula escolheu Haddad para enfrentar Jair Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto. Ungido candidato, o ministro pediu autorização para deixar um pouco de lado na campanha a cor vermelha do PT e anunciar uns nomes de seu eventual futuro governo como forma de acenar ao centro. O plano era driblar a rejeição ao partido, que na época estava no ápice. Encarcerado, Lula não aceitou. O resto é história.

Sabotagem interna

Em seu terceiro mandato, Lula tem minado com certa frequência os esforços de Haddad. O presidente foi decisivo, por exemplo, para enterrar a medida provisória que restringia o uso de PIS/Cofins, idealizada pelo ministro para compensar a manutenção da desoneração da folha de pagamento. Parece um caso pontual, mas não é.

Desde o início do governo, o presidente sabota os esforços de Haddad para tentar equilibrar as contas públicas. Após a anulação da MP do PIS/Cofins, Lula até se reuniu com integrantes da equipe econômica para prestigiá-los e passar a ideia de que sua gestão — apesar de sua crença no mantra “gasto é vida” — trabalharia para cortar despesas. Essa falsa impressão não durou muito tempo.

Na última quarta-feira, 26, em entrevista ao portal UOL, o presidente colocou em dúvida a necessidade de cortar gastos, apesar de as contas do governo central terem acumulado um déficit de 61 bilhões de reais em maio, o segundo pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997. “O problema não é que tem que cortar. Problema é saber se precisa efetivamente cortar ou se precisa aumentar a arrecadação”, declarou o presidente.

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Mudança de expectativa

No primeiro ano do governo, Haddad conseguiu reverter o pessimismo quanto à responsabilidade fiscal da gestão petista, aprovar projetos estruturantes no Congresso e entregar um crescimento econômico três vezes maior do que o projetado pelo mercado. Agora, no entanto, as expectativas pioraram novamente, provocando, entre outros danos, o encarecimento dos empréstimos ao setor produtivo. Além de fatores externos, as falas de Lula tem contribuído para esse quadro.

Disciplinado, Haddad tem plena consciência de que o presidente atrapalha a política econômica ao entoar discursos de palanque, mas jamais fará uma crítica pública a ele. O ministro até admite certa solidão no exercício da função, mas não vai além disso. Afinal de contas, manda quem pode, e obedece quem tem juízo.

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