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Lula colhe a tempestade que ele mesmo semeou no ministério

Presidente incentiva embates internos, não arbitra disputas, não dá rumo à gestão e terceiriza erros como se nada tivesse a ver com eles

Por Daniel Pereira 1 jun 2025, 18h35 • Atualizado em 1 jun 2025, 20h21
  • Em seus dois primeiros mandatos, o presidente Lula incentivava a disputa entre seus ministros, mas, mais cedo ou mais tarde, entrava no circuito, arbitrava a contenda, mostrava quem manda e ditava o rumo a ser seguido. Foi assim no duelo entre José Dirceu e Antonio Palocci, que marcou a sua primeira gestão, e também no confronto entre Dilma Rousseff e Marina Silva, que pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente, em 2008, ao constatar que os projetos de infraestrutura da chefe da Casa Civil sairiam do papel a qualquer custo.

    De volta ao Palácio do Planalto, Lula resolveu reeditar, por enquanto, apenas parte desse roteiro. Ele continua a estimular as disputas de poder entre seus principais auxiliares, mas, ao contrário do que fazia, não intervém para acabar com as rixas e definir o caminho que será seguido. O resultado da omissão presidencial é conhecido: o governo está descoordenado, não entrega os resultados esperados pela população e sofre com um derretimento de imagem.

    Cada um por si

    A polêmica em torno do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ilustra bem a situação. O Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, disse que o caso foi tratado com o presidente. A Casa Civil, chefiada por Rui Costa, alega que teve menos de um dia para analisar os termos do decreto. Já Gleisi Hoffmann, a articuladora política do governo, afirmou que Haddad não detalhou como deveria o impacto da mudança do IOF.

    Tudo isso pode ser verdade, mas, diante da péssima repercussão da iniciativa, o governo deveria unificar o discurso e trabalhar em conjunto pelo passo seguinte, e não lavar roupa suja em público. Essa trapalhada só continua porque o presidente não indica um caminho a ser seguido e deixa que Haddad, Costa e Gleisi duelem sob os holofotes, como ocorreu em diversas ocasiões nas quais medidas de controle de gastos foram anunciadas.

    Os três ministros são considerados potenciais candidatos à Presidência quando Lula não disputar mais eleições. Cada um deles tem uma agenda própria no governo porque o governo, como um todo, não tem uma agenda definida. E não é só na economia. Em audiência no Senado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi atacada por parlamentares da base aliada e da oposição que querem tirá-la do cargo para acelerar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

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    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é um entusiasta desse projeto, assim como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Já Marina prega cautela, análise cuidadosa dos impactos ambientais e autonomia do Ibama para tratar da questão. As posições divergentes são conhecidas há tempos e perduram porque Lula, apesar de mostrar simpatia pela exploração do petróleo na região, não define a posição do governo sobre o tema.

    O presidente está distante do dia a dia da administração, o que tem contribuído para a barafunda em curso. Essa situação é tão patente que o comandante da Câmara, o sempre comedido Hugo Motta (Republicanos-PB), exortou Lula publicamente a tomar pé do caso do IOF e liderar a negociação para a aprovação de uma alternativa ao aumento do imposto. Já passou da hora de o mandatário entrar em campo e chamar para si a responsabilidade.

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