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Jorge Kajuru: O anti-Gilmar

Eleito senador por Goiás com 1,5 milhão de votos, o jornalista, que coleciona ações na Justiça por difamação, já comprou briga com Gilmar Mendes

Por Eduardo Gonçalves 5 abr 2019, 07h00

O senhor defende a CPI da Lava-Toga, que anda travada no Senado. A CPI ainda sai? O plenário ainda vai ter de votar o parecer da Comissão de Constituição e Justiça, provavelmente pelo arquivamento da CPI. E aí eu quero ver. Os senadores vão ter de mostrar a cara, porque a votação é aberta. Eu achava que só Deus não podia ser investigado neste mundo. Mas o Gilmar Mendes também se acha acima do bem e do mal.

O governo atuou contra a CPI? Parte dele foi contra. Fui ao gabinete de Flávio Bolsonaro há quatro semanas e ele perguntou: “Kajuru, você quer criar uma crise?”. Outro senador me disse que não apoia a CPI porque recebe Gilmar Mendes toda semana para jantar. Até me convidou, mas respondi: “Pássaros e porcos não se sentam à mesma mesa. Se eu visse Gilmar, sairia voando”.

O senhor fez acusações gravíssimas contra Gilmar Mendes. Disse que ele vendia sentenças. Tem provas disso? É preciso ter prova para falar mal de Paulo Maluf, de Sérgio Cabral? Gilmar Mendes é um anti-herói nacional. Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, mudaria a sua frase monumental: “Toda unanimidade é burra, exceto o que se pensa no Brasil sobre Gilmar Mendes”.

Ele está processando o senhor? Sim. E me mandou essa representação. Para mim, é um atestado de idoneidade. Vou enquadrar e pôr naquela parede (ao lado de quadros em que aparece com Adriane Galisteu e José Luiz Datena).

O projeto de ser senador vem de longe? Antes de concorrer a vereador de Goiânia, registrei no cartório que só ficaria dois anos na Câmara e dali sairia para o Senado. Avisei meus patrões eleitores. Não nasci para ser João Doria (que largou a prefeitura para se eleger governador de São Paulo). Ele é a escória da escória.

Por que o senhor diz isso do governador? Trabalhei com ele na RedeTV!. Você acha que aqueles entrevistados dele eram gratuitos? Nada mais a falar. Doria é metido a intelectual, mas é vazio e inculto. É chumbrega — que não é o mesmo que brega: no dicionário Michaelis, significa desprezível. Mais um processo contra mim.

Publicado em VEJA de 10 de abril de 2019, edição nº 2629

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