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Irmão de advogado de Flávio Bolsonaro é nomeado na prefeitura do Rio

Lauro Botto Maia, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, ganhou cargo na Secretaria municipal da Ordem Pública, comandada por um policial civil

Por Cássio Bruno
1 out 2021, 12h04

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiro, Lauro Cesar Botto Maia, foi nomeado para trabalhar na prefeitura do Rio de Janeiro. Lauro é irmão de Luis Gustavo Botto Maia, advogado do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). O militar ganhou o cargo de coordenador-executivo da subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, subordinada à Secretaria Municipal da Ordem Pública (Seop). Na prática, a função de Lauro é como a de um superintendente da Defesa Civil. A publicação no Diário Oficial ocorreu em 2 de setembro, mas com validade a partir de 13 de agosto.

Luis Gustavo Botto Maia ainda é investigado pelo Ministério Público estadual. De acordo com os promotores, o advogado teve participação fundamental na destruição de provas no esquema da “rachadinha” (quando o político embolsa irregularmente parte do salário do assessor) no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) quando ele ainda era deputado estadual. No último dia 9, VEJA revelou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) arquivou o processo disciplinar contra Luis Gustavo.

Lauro, por sua vez, foi peça-chave para que o irmão Luis Gustavo e Flávio Bolsonaro se conhecessem, em 2011, durante uma greve da corporação. Um dos líderes do movimento, o SOS Bombeiros, era o então capitão Lauro Botto. O bombeiro, aliás, tem cargos importantes no currículo. Ele chegou a ocupar, por exemplo, a função de assessor-especial na Secretaria estadual de Defesa Civil da gestão do ex-governador Wilson Witzel (PSC), que sofreu impeachment por corrupção na área da Saúde.

Atualmente, o prefeito Eduardo Paes (PSD) não faz parte da base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nas redes sociais, Paes é visto criticando o clã e ações do governo federal. O prefeito até já trocou provocações no Twitter com o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), outro filho do presidente. O secretário municipal da Ordem Pública é Brenno Carnevale, delegado da Polícia Civil. Ele já comandou as delegacias de homicídios da capital e da Baixada Fluminense. 

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Procurada por VEJA, a Seop informou que não vai comentar o assunto.

Em 2010, Lauro Botto foi candidato a deputado federal pelo PV. Em 2014, ele concorreu ao mesmo cargo pelo PHS. Perdeu nas duas tentativas. Entre 2012 e 2013, Lauro comandou os quartéis do Corpo de Bombeiros do Grajaú e de Ramos. No ano seguinte, atuou como coordenador de Operações da Defesa Civil e, depois, responsável pela coordenação do sistema de alerta em favelas no Centro de Operações Rio (COR) da prefeitura.

Na greve dos Bombeiros por melhores salários, Lauro chegou a ser preso e teve a ajuda de Flávio Bolsonaro para deixar a cadeia. A família Botto Maia foi homenageada algumas vezes. Luis Gustavo recebeu a medalha “Avante Bombeiro” das mãos de Roberto Robadey Júnior, ex-comandante do Corpo de Bombeiros. A honraria é dada para quem tenha “ações que geraram benefícios consideráveis” à corporação.

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Em 2016, Lauro Botto ganhou a medalha Pedro Ernesto do vereador Alexandre Isquierdo (DEM), com o apoio de Carlos Bolsonaro. Em 2018, Lauro conseguiu a medalha Tiradentes por meio do então deputado estadual Gustavo Tutuca (MDB), hoje secretário estadual de Turismo do governo Cláudio Castro (PL).

A ‘rachadinha’

Na denúncia, o MP afirma que Luis Gustavo Botto Maia “extrapolou todos os limites do exercício da advocacia” e passou a atuar “de forma criminosa” na obstrução das investigações. Segundo os promotores, o advogado de Flávio Bolsonaro participou do planejamento de fuga do ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador da “rachadinha”, em dezembro de 2019. Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo, mas hoje está em liberdade. À época, segundo o MP, Queiroz e a esposa Márcia Aguiar teriam a ajuda de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio), então líder de um grupo de milicianos.

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A trama incluiu ainda Raimunda Magalhães Veras, mãe de Adriano, morto em uma operação da polícia da Bahia, em fevereiro do ano passado. Raimunda e a ex-mulher do miliciano Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega foram nomeadas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Luis Gustavo Botto Maia foi o responsável pelas contas eleitorais da campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado, em 2018, e também do PSL, antigo partido do parlamentar e de Jair Bolsonaro. Nas eleições de 2022, o advogado continuará atendendo a família Bolsonaro.

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